8 de out de 2010

Escrevi duas cartas que não puderam ser lidas. Estão no vazio de uma imensidão impensável.
Nelas depositei meu coração, foram vitórias não comemoradas, lágrimas quase derramadas, alguns gritos presos no espaço de um botão.
Não precisaria escrever com palavras bonitas, não, realmente meio som já exprimiria tudo que parte daqui, daqui de meu medo.
Confundo-me nesse medo, parece outra situação, não o medo, sim a paixão. Não tenho como apontar a direção certa de nada. O que penso me basta. Explicar? Jamais teria meios para isso.
As cartas que no vácuo foram jogadas ainda clamam por mim. Uma poesia entrecortada, uma denúncia implícita de uma falsa jornada.
Não, não as lerei jamais. Nem eu, nem você, talvez ninguém.