23 de nov de 2016

Não sei mais o que dizer nem o que pensar



Vai, me diz pra onde ir
Não vou mudar em nada, mas quero te ouvir
Os desejos da noite são incertos
A manhã chega fechando livros abertos

Não, não, não venha pra cá
Não procure o que não quer achar
Os discos são velhos
Nossa música sempre vai tocar

A sorte e a espera da morte
Quem são inimigas nessa vida?
Engenheiros ou Legião?
Vamos cantar qual refrão?

Só me diz o que tenho que fazer
Mesmo que eu não ouça, vou querer
Os desejos de uma tarde de janeiro
O ócio e o calor me vestem por inteiro

Separei uma coisas usadas
Poucas verdades guardadas
Quase um mês de pensamentos
Em malas cheias de sentimentos

A sorte e a espera da morte
Quem são inimigas nessa vida?
Engenheiros ou Legião?
Vamos cantar que refrão?


15 de nov de 2016

Da nossa tecnologia


A moda atual é ter a verdade, dispensar opiniões e criticar as outras vontades
Recortam os enunciados, interpretam tudo errado e ainda querem mais
A morte e o riso tão perto, tudo muda apenas com o toque dos dedos
De amor e desejo só as palavras, os gestos escassos, tudo metades

Nada queima eternamente, hoje nem mais acende a chama
Todos se tocam sem se encostar, efêmero o beijo que não traz paz
Já não se tem os papéis, provas não são reais, plataformas virtuais!

Sonhos apagados com um comentário, lágrimas atrás da câmera
Então fazemos uma mea culpa? Sim, peço desculpas, sou mais uma...
Pobre Clarice, sob as fotos pintadas e alteradas recriam Macabéas

Dias e luas, que no passado descansam, desfazem a esperança fugaz
Discursos modernos, um som desonesto na rádio que anuncia
Uma música para a sua tristeza, amanhã tem show, olhe o cartaz!
Uma madrugada que termina ao som de motores e raia novo dia.

Rasgamos aqui no peito tudo que era verdadeiro, amor e respeito
Deletamos antigos romances, encanto, pranto, fingimos o perfeito

Teremos que ocultar o sincero desejo e só postar selfies banais ...

11 de nov de 2016

Não tem amanhã para a verdade

No caminho em que meus pés não tocam, vejo longe a lua
A metade não iluminada guarda o que foi minha vida e a tua
Somos talvez a imagem do sonho de alguém, talvez um medo
Sob os pés o frio da terra que será enfim o fim de todo tempo

Pra que a pressa? Não vá antes do sol nascer, quero ver a luz no seu rosto
Vamos falar de coisas velhas, filmes estranhos com a música certa
Não tentei todos os truques, nem sorri com a intenção de merecer
Preciso desse gole de utopia, pra um sabor de otimismo tolo

Uma canção que me lembra que o mundo anda tão complicado
Então quero fazer tudo por você, nessa noite derradeira
Fala o que teu corpo sente, deixa eu encher teu copo
Assim te vejo saindo dessa realidade, ficando mais inteira

Vem aqui nos meus braços, apenas respiramos
Se quiser chorar eu ouço seus tormentos
Se for pra rir, algumas piadas novas eu invento

Só não tenha pressa! Teu cabelo bagunçado tem beleza
Deixa a terra seca, esquece que há maldade e avareza
Vou falar tudo que deveria ter dito e que não tenho certeza
Todos substantivos abstratos, histórias sem nenhuma tristeza.






Como se fosse uma balada de amor...

Não tenho mais medo de jogar tudo pro alto
quebrar esses segredos
Depois catar os cacos todos que ficarem
Te dizer adeus e sorrindo
Bye, Bye meu amor

Te dei tudo e você nada me deu
Apaguei a luz você  acendeu
Mas nada iluminou, nem precisou
Mesmo sem a luz eu vi que acabou

Quero um amor latente, diferente
inocentemente doce, inconsequente
Ter novos nomes, falar ao telefone
Desmarcar-te de tudo que a vida marcou

Filosofar barato ouvindo violão desafinado
Contar histórias que não sejam de amor
Nessas horas esquisitas me perder do que sobrou

Quero virar esquinas e apagar versos que te fiz
e que você nunca cantou...

Te dei tudo e você nada me deu
Apaguei a luz você  acendeu
Não diga que tem um querer por vaidade
Vai e viva tua vida, pra nós: liberdade!