1 de nov de 2012

Crônica do calor, sintoma do fim, e um dente


O sol se aproxima! Dizem os tolos. Sinais apocalípticos, atrasado em muito está esse fim do mundo, acaba que se torna necessário desejá-lo.
Não é pelo calor em si, mas pela cor que fica mais luminosa, a visão sofre, o suor não deixa que a base que esconde os defeitos da pele balzaquiana fique firme em seu lugar. É cheiro, é gosto, e a dor no corpo, chega às vezes à alma, ou pseudoquestão analisável racionalmente.
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E lá vão os livros sob os braços, dizendo que as profecias não mentem, que a água já dizimou os habitantes da terra, mas não mencionaram que os asiáticos e aborígenes australianos não beberam dessa água. As contradições que são tão claras, soam como veneno, e nesse veneno vou resguardando um suposto e frágil talento.
Nesses últimos dias, as frases mais ditas têm calor no meio, tem a dúvida, o medo da anormalidade, quem sabe se vai ser assim para sempre, será que não viveremos mais sem o ar-condicionado? “Isso tudo é culpa desse tempo”, até para os resfriados normais, e não poesia que rebente numa paisagem assim. Até a crônica fica meio “gracilianada”, com a secura na boca, e o cachorro sedento e abandonado na rua, nas ruas e dores de muitas esquinas.
E pra falar cronicamente, acho que vou perder um dente, na sucessão de erros que claramente não são de outros além de meus. Penso que a procrastinação seja uma peste, eu padeço nessa causa incipiente. Porém, vão-se os dentes fica a boca... e os olhares do marido perdidos no meio da rua. São os anos, são os tempos de apocalipse, ninguém se entende, é falta de deus.
O que faria Nietzsche com uma alvorada tão crucial de amantes da palavra? São tantas vertentes novas diria ele, “estou mais confuso”? Por que agora os cristãos que queimavam homossexuais, os têm ao lado, em cima e embaixo? Seriam tempos de pacificação, ou o mal religioso esquentou à luz dos raios mais radioativos do sol? Isso falo pensando nele.
Pra terminar fazendo jus à tese, o calor irritante vai continuar, com ele todos os velhos ditados, e a onda passará daqui a alguns anos, talvez. E quando tudo estiver normal, não será visto como normal, dirão: Oh, que frio glacial! É o fim dos tempos, e as previsões já estarão no quarto milênio.
Eu passarei, você, hipotético interlocutor, que, se milagrosamente não estiver cansado por ter lido esse pequeno acumulado de lorotas céticas, também passará. O calor, o frio, a chuva e a seca, elas passarão, se transformarão, e a terra continuará, até uma próxima explosão. E se depende da vontade de alguém? Não sei. Você, que provavelmente faz parte da parcela esmagadora de ovelhas, certamente dirá: só quem sabe é deus. E não discutiremos mais.