31 de mai de 2009

Misturando temas

(Gustave Doré Envious Penitents)

Um dedo que é apontado em direção a sua face, afronta o comportamento cívico e remexe o lustre brilhante das ideologias consagradas.Não que seja uma humilhação permanente, no instante serve como estímulo, já por trás desse gesto existem milhares de interpretações, árvores que descem em significados por suas raízes...Como tema a inveja, lida numa revista, ela é bilateral, não há quem se livre dela, mas só aqueles que não lidam bem com seus brios se compadece e abaixa os olhos quando o dedo vem.
A arma utilizada pelos fracos é o grito, que quase sempre é prova de sua culpa, dos seus medos e insegurança perante um desafio.
Penso que seja mais comum do que imaginara, a inveja permeia relações de todos os tipos, ela mesma se manifesta em diversos níveis, um deles até considerado positivo, mas que vão de pólos distantes, impulsionando muitas vezes ao desejo da morte alheia, ou a atitude para que se alcance esse intuito.
Mas de moderada à descabida, a inveja mata, esse gesto que o dedo leva à cara mata, a alienação mata, e no fim todos nós morremos.

22 de mai de 2009

Desafios do contentamento


Quando você quer mais do que precisa
com consciência ou não no perdão da vida,
que é justa,imperceptivelmente honesta
a água pode ficar turva, o abstrato, concreto.

Não que se abster dos bens efêmeros salve,
economiza o seu espírito te mantém no chão.
Não que voar seja proibido, não jamais;
permitido é voar com suas asas, tudo pago!

Quando se tem mais do que precisa
mais se quer e se deixa e se leva...
consumindo com tudo que está perto
padecem amigos, anulam-se talentos.

Se o objetivo é a vitória, lute, consiga;
afinal, se menos é mais, como vencer o placar?
mas quando superado, qual seu próximo passo?
um passo cego em direção a mais, quanto mais?

18 de mai de 2009

Como mostrar meus amores


Eu não sei mostrar o meu amor
um sorriso apagado não declara
aprisionado no canto da boca,
não revela alguma face da alma.


Não sei mostrar mas amo, e tanto.
Enganos, certezas, me faltam verbos,
a expressão se contrai no coração;
O abraço escasso é desejado e raro.


O brilho do olhar quando aceso queima,
transborda-se em lágrimas sentidas.
Toda afronta que necessita fé, afugenta;
divido meus desejos e me doo inteira,
confusa nos detalhes me retraio.


Sou flores e perfumes, medo e afeição
preciso fazer uma tela desse amor...
O fraternal, o carnal, animal.
Todos eles são em mim um chão,
porém das portas do templo saem lentos,
os adendos que exprimem meu perdão.


Sou céu e borracha, emudeço meus elogios
sinto até doer , e como dói esse amar.
Sofro nas tentativas de mostrar que valem,
encoberto de mantos cinzas, meu pão.

O alimento que ofereço é minha vida
se eu te amo hoje e aqui eu tento,
alcançar-te nos sentires não nos falares.


17 de mai de 2009

Autorretrato

Dentre os adjetivos atribuídos a minha insigne pessoa, salvo eu os mais humildes e nobres por assim dizer... Amante dedicada e sonhadora permanente.Nos pejorativos, calo-me e, anseio o perdão daqueles que merecem minhas horas.

13 de mai de 2009

Uma leitura cega

Deslocada, posta num ambiente e sentindo-me fora dele;
nas calçadas cheias não ando pela gente, fugindo de tudo,
abaladas perspectivas, não por influências externas
há um alienamento interior de tudo o que é futuro.

Quando procuro, imediatamente me interrompo
um sofrimento lento, desmotivado e não aparente.
Uma leitura cega desse mundo novo, inapetência;
grandes homens permaneceram por insistência
mas meu eu mais obscuro pede a demissão...

Primeiro a euforia, após o silêncio que corrói
meus primeiros erros foram decisivos e vis
frases vão se encurtando cada vez mais, decepção.
Quais seriam as glórias de uma alma mais eficaz?
Prendi meus dedos nas portas do castelo medieval

Nada é novo e mesmo agora aqui tentando, paro
sou redundante semanticamente, lexicalmente...
Enfim, uma barreira pessoal imposta sem data
Um calabouço aberto, mas acho não ter a chave.

4 de mai de 2009

Sobre a iluminação (ou escuridão)


Guiados pelos ídolos escolhidos aleatoriamente,
por inclinação natural ou queda tendenciosa
na natureza selvagem que se tornou a humanidade
que já não existem virtuosidades, ou não houveram...
Quem pode ser a verdade absoluta, ou o quê?
Nem cabe aos mortais desprovidos de lógica procurar,
muitas vezes se perdendo em paradigmas obsoletos
os pobres mortais são conduzidos apenas à morte.
Falta de fé não é o problema, alias o excesso é que fere
Não praticaram aquilo que pregavam nem viveram.
Partilhando uma filosofia maniqueísta atordoadora,
matando a luz personificada nas diferenças, desconciliaram.
O cepticismo visto como maléfico curou muitos males reais
nem sempre disseminou a união, mas imparcialidade pondera.
Quem são os profetas?
Ah... Eles são loucos por acreditarem num livro velho.
Mas a história só vem confirmando que nada se sabe,
nada se cria a partir de convicções ilusórias.
Ainda não posso me definir abstraída de Deuses,
mas sei que nenhuma regra escrita em manuscritos alterados,
vão alterar minhas convicções, meu desejo de sermos reais.
Apenas respirar o universo, agradecer sua existência,
permear a positividade mas não a prisão a "leis" ditas sagradas,
onde nada mais existe além de mentes humanas gananciosas.