30 de jan de 2011

Uma ponte

Chega de esperar o passo ser dado pela alma ao lado.
Atravessarei sozinha pela suspensão dos desejos que erguem-me.
Nada de amassar os escritos, alguém há de lê-los, ao menos dirigir-lhes os olhos.
Não deixar de amar, me entregarei de corpo inteiro nem que seja por um dia, ou pela vida toda.
Ouvir mais aquilo que grita na mente, correr em direção àquela montanha, que me espera desde sempre e que eu desprezava pela temida distância.
Nego-me a negar-me. Sim para essa vida que clama lá fora.
Beijarei tua boca meu amor, enquanto fores meu hoje, e amanhã sorrirei pela lembrança de ter dormido ao seu lado, e de todas as quentes noites que tivera me proporcionado.
Aumentarei meu nível de criatividade à medida que der crédito a minha vaidade, que urge, empacada numa falsa ideia autocrítica.
Mencionei que viajarei o mundo?
Pois bem, ele, o mundo, me conhecerá. Todas as terras frias, as areais quentes, as gramas molhadas e os parques vazios. Todos sentirão meus pés firmes marcando a entrada de uma travessia.
Estou na travessia dessa ponte, com a cabeça fervente de esperança, sem egoísmo ou rancor, levarei na minha bagagem todos aqueles que me marcaram com amor. E sempre serei grata pelo ontem, pois ele me ensinou a ser quem sou.
Chegarei em breve, mas não deixarei de levar comigo quem realmente tem valor.
Irei em breve, mas ao enriquecer de vida meus pulmões, trarei de volta a realização de uma vida, que valerá para sempre, como todas as despedidas.

5 de jan de 2011

Pelas escolhas

Não interessa se é primavera ou inverno, não há mais aquela beleza nas estações.
Você dizendo que era cedo demais, e o mundo caindo sobre mim, não era nada mais além de inquietação.
Não há mais o que esperar pela janela, os seus olhos azuis não estão a me esperar do outro lado, nem nada.
O que o sorriso doce do meu medo me diz, que ele é mais forte, que minha força e a tal coragem são displicentes, que minha casa é de vidro, quebrado em pedaços.
Não interessa se verão ou outono, quem passa lá fora é uma chuva sem graça, quem anda aqui dentro é a indefectível ansiedade. E como oxidam minhas células, numa turbulenta variação que parte da dor e que passeia pelo entusiasmo utópico de um país gelado qualquer...
E você me avisou, e tudo foi assim, sem mais explicações.
Criar uma redoma não me facilita, correr em direção ao sol não me satisfaz, ter o ouro e a prata não me incitam a ambição, cantar sob a lua cheia não soa confortante. E foi a minha escolha, e se eu acreditasse em destino, sorte ou deus, resolveria?
Pelo que me consta, hoje aqui, sou apenas eu.