9 de dez de 2013

Quem é ela? Quem sou eu?

Há uma outra pessoa dentro de mim que insiste em não acreditar em recomeços.
Há alguém que grita encarcerado, enxergando tudo em preto e branco e não sorri.
Há alguém quase na superfície, esse ser que sou um outro eu, não permite insistir.
Falta para mim e para ela, a luz acesa e o banquete, os fogos e a música e a bandeira.
Temos os mesmos medos, talvez por isso permanecemos tão unidas, infelizes e frias.
Há uma outra em mim, ela quer, quer e quer, não nos permitimos, vagamos...
Eu no mundo e ela em mim. a conheço bem e talvez não, ela não se reconheça em mim.

27 de nov de 2013

Crônica do assassinato de um anão

          Ele olhou bem no fundo dos meus olhos, foi seu último gesto nauseante, despertando em mim um sentimento que não é tão recorrente, um misto de raiva e choque, que sairiam bem emblemáticos numa crônica russa.
            Foi nesse momento, que desafiada pelos olhos insolentes de um ser preenchido de mau caratismo, que o inesperado, ao menos pra mim, aconteceu.
            Antes, vamos a algumas reflexões importantes: dia de trabalho intenso, papéis cercando a mesa e a mente fervilhando de desejos irrealizáveis e frustrações latentes. A água ameaçava descer do céu, mais tarde até desceu. Meus pés estavam seguros num sapato levemente apertado e algumas notas de Beethoven vinham cantarolando em meus pensamentos mais distantes. As vozes se calaram imediatamente a minha expressão mais perplexa de uma atitude egoísta, a vontade de ser quem não se pode cresce num ambiente que te limita. O ser minúsculo atirou pedras, com peso triplamente maior que o seu, em minha direção, quase que gratuitamente.
          O entrave deu-se por uma metafórica luta por território, o meu há tempos procurado era mais dele que meu naquele instante, eu matei. Não consigo ser gigante, mas me ergo acima do senso comum.
         E matei, com um tiro, aquilo que me corroía, o mais interessante disso tudo é que ninguém se comoveu. Sem sangue ou sirenes, nem prisões nem leões, o meu algoz agora era a vítima, estirada sobre um piso gelado, sujo e conhecido.Quem me salvaria, a não ser a força da arma?
        Enchi meus pulmões com aquele ar carregado e aspirei toda a raiva contida, num tom de voz bem baixo, atirado junto com a bala. A bala que não era de prata nem de ferro, muito menos de hortelã. E repito, não sinto raiva. Já senti. Agora a morte dele será mais uma história esquecida junto com o cheiro de momentos que vivi sem querer viver. O gosto das coisas boas são mais duráveis, o gosto do céu cinzento é meu preferido.
         Com o cadáver removido pude seguir com meus outros dilemas, o cansaço não me desafiava mais, nem as palavras que não conheço, eu mesma me provocava, quantas mortes ainda seriam necessárias? Para saldar a dívida que tenho, terei que levar mais armas para minha labuta, terei que ser gladiadora, inquisidora e ainda mais extremista. Terei que achar uma brecha nessa justiça permissiva, para que enfim meus mortos descansem e eu não tenha mais fantasmas nas minhas horas vazias.


24 de nov de 2013

Um novo ser a cada amanhecer

         Queria a cada dia ser um novo, um novo sem perder o máximo de mim mesma. Não ter a imprudência de nadar no fogo que queima as esperanças, nem ter o medo de mergulhar profundamente em busca dos corais mais coloridos. E ser a reinvenção do melhor que há em tudo, com a força que não se acha em quase nada.
          Queria ser eu mais explicitamente, descoberta pelo espelho que há tanto se nega. 
Não ser o pobre nem o rico, a fama ou o anonimato, ser como a estrela que brilha hoje e só se vê o brilho  através do tempo imensurável. A música e o vinho que estão nas mãos dos deuses, a tempestade e a calmaria.
          Queria ser o paradoxo, que se secasse na chuva fina, ainda assim ser a simples figura denotativa.
Poderia ser se não fosse tão difícil se reconhecer, pois ainda não sei e sinto que preciso saber, ainda que as origens sejam o pó de tudo que existe, queria moldurar a mais bela das singularidades.

Cristiane Felipe.

13 de nov de 2013

Sem cronicidade na "tragicidade"

Talvez se houvesse coragem eu já teria desistido de tudo. Mas de tudo o quê? Se nem sei o que tenho e pelo que luto, ou se mesmo luto.
O que tento transmitir é real e, realmente, desejo o bem de muitos.
Mas quão surreal é a hora em que estou sozinha, perdida em meus fluxos de pensamentos egocêntricos que só enxeram a dor lancinante que sempre tomou conta de uma parte de mim. Isso é tão íntimo que nem deveria estar aqui. Pois bem, palavras que talvez não lidas sejam facilmente descartadas.
Um vazio se abre amargando um pedaço de mim e sei que passa, mas agora não passa, agora ecoa uma sirene, várias sirenes em minha mente.
Comparo à sensação não explicável de olhar para o céu estrelado, que mesmo sendo clichê é algo extraordinário. A grandiosidade dos mistérios que se distanciam a cada dia de serem elucidados, dentro do brilho de cada estrela. O ofuscante medo de saber que jamais iremos entendê-las. E os porquês que se fazem tão absurdos quando se olha a tão imensurável imensidão.
Quero o destino dos louvados, quero a discrição dos sábios, quero a luz e o poder, quero nada ser e nada ter.
E não encontro sentido algum nesses paradoxos, voo longe das minhas atribuições tentando achar uma grandeza que me caiba.
Palavras, achadas e perdidas, permeiam meus livros imaginários, que de nunca escritos tornaram-se impraticáveis. Por que tamanha prolixidade? Procrastinação e preguiça são meus outros nomes...
Sem os desabafos, "autodesabafos", minha rotina seria mais entristecida. Pois tento, ainda, achar razões de manter uma vontade ligada e partilhar com algumas pessoas o meu dia a dia.
Esqueçamos o que foi lido. Queimemos os papéis não impressos.

15 de out de 2013

Instáveis

Nem sempre precisamos sorrir
Nem sempre o céu tem estrelas
Porque não é sempre que dá...
Nem sempre fazemos na hora
E nem sempre deixamos pra lá
Não somos uma piada pronta
Os poemas nem sempre rimam
Nem músicas tão belas agradam
Nem sempre temos as chaves
E nem todas as cartas chegam
O tempo, este, sempre passa
E nem sempre passa rápido!
E nem sempre o bem é o real
O amor não vem tão sempre
Nem sempre dizemos a verdade.

21 de set de 2013

Ou sempre mais do mesmo

Todos os lugares a que nunca fui, aparecem com tonalidades fortes numa mente que tem saudade do que não foi vivido.
Há uma dor, ela é latente, mostra-se insistente e no fundo eu sei o que é, mas não acho justo o porquê.
De poucas crônicas foi construída minha vida, muitos erros acometeram o espaço reservado às realizações, demorei muito a aprender onde e porque usar as crases...
Eu amei e muito amei, àqueles que de minha vida são o alicerce. Pouco ou nada ou muito mal demonstrei, deixando um lago, de transparência irritante, dentro de mim. Não há nada além de água.
Não é a tristeza o tema principal, talvez a frustração. Não estive nos lugares coloridos assistindo aos magníficos pores-do-sol, mas não comprei ao menos uma passagem.
Dificultando meu próprio caminho vim passeando por mentiras que eu mesma criei, desvalorizando uma suposta capacidade de fazer diferente.
São 30 primaveras, e ironicamente em mais um início de uma delas. Não tive filhos, não saí do país, não plantei uma árvore, não escrevi um livro. Bem, será que vivi?
Os ínfimos momentos que me sinto realizada são tão intensos que até penso que sejam capazes de causar uma parada cardíaca, tanto busquei implicitamente por eles.
Resumindo, fui uma ilusão de mim mesma, sempre a me imaginar vista de fora. Vazia, fraca e egoísta.
As águas frias de meu lago congelam agora meus pés inchados. Só isso.

13 de ago de 2013

Em poesias

Apenas versos, novos ou velhos
Crueza tesa na natureza indefesa
Meta, meta, língua, meta, agem
Não há por que para as rimas
Dos medos que tenho e venho
Esconder a dor, se afogar só.

28 de jul de 2013

O vento é seco

Bem, aqui é um espaço pessoal, olha quem quer, poucos olham, acho que posso expor meus pensamentos sem ser vilipendiada.
Os gritos estão sendo engolidos, a maioria será assim sempre tão forte?
O catolicismo foi capaz de atrasar a vida da humanidade por tantos séculos, queimando mulheres, assassinando os "hereges", condenando a ciência e pregando uma verdade fabricada. Mesmo assim, são capazes de, com ajuda da mídia, envolver os jovens no pensamento deles. Não sou contra a celebração da felicidade e do amor, mas sim, desse modelo ser visto como único modelo de felicidade e amor.
Não tenho falado sobre o que penso, pois o que penso incomoda minha mãe, meu pai, meus vizinhos e até mesmo as pessoas que estão em minhas redes sociais.
Por que? Não prossiga se você não escuta ateus.

Saberia explicar o porquê se eu estivesse invadindo o espaço deles e enfiando minhas ideias racionais, mas não, o simples fato de considerar que há bilhões de anos anteriores ao cristianismo, que há milhões de religiões e que não há evidência alguma de um sobrenatural real, é o motivo do "ódio", dos "ofendidos".
Se você é irredutível e não aceita nem tentar refletir sobre coisas diferentes, nem prossiga.
Fiz parte de grupos jovens de igrejas católicas, fingia cantar em línguas santas, não sentia nenhuma emoção e ia lá mais pelo grupo e animação das músicas do que pelo Jesus em si.
Fui a centros espíritas para avaliar o sentido de seu kardecismo, mas é mais fácil provar o que existe do que aquilo que não existe, e sério, não há espírito nenhum nesses lugares. Pessoas mudam suas vozes e falam coisas que você está cansado de saber, tem o lado bom, são muito envolvidos em caridade, não se metem na vida alheia pregando sua fé e não extorquem seus seguidores.
Toda religião tem lado bom, mas o fundo de toda religião é a mentira.
Deus, Zeus, Jah, Buda, sejá lá qual for o cabeça da seita, não faz sentido. Ou faz sentido mandar pragas, tornados, enchentes e guerras pra depois pedir fé daqueles que ele mesmo criou?
Por que os criaria para sofrerem tanto? É tipo sadismo, eu te amo, mas você precisa sofrer, mas peça perdão e pague o dízimo que você ganha o céu.
Ganha-se o céu? Em quais crenças?
Mas para toda incoerência há erguido um discurso de correção, quem os inventa? Os padres, pastores, cada um dentro de sua "fé"? Não sei, mas são donos da razão.
Não posso me sentir ofendida quando esfregam na minha cara que seres imaginários devem ser louvados, e que não crer é algo errado. Se fosse pra me agarrar em mitologia seria a grega... Zeus é muito mais próximo da realidade.
Enfim, crio a terra, depois de bilhões de anos ponho você morando nela, você peca porque eu proporcionei o conceito de pecado, afinal eu fiz tudo. Depois vocês sofrem pra valorizar a minha existência, eu nunca apareço e mesmo assim você deve me amar. Mando vários e vários homens bons para o mundo, vocês escolheram um pra por na cruz, que aliás ele morrerá por todos os outros que eu estou fazendo se enganarem com muitas religiões quando na verdade só existe uma certa. Sou bom, mas dou castigo, sei o que você pensa, mas quero ouvir suas orações. Pessoas ricas comem bem, merecedoras, as crianças africanas não batizadas morrem de fome. Isso tudo é vontade de Deus? Então no Japão os terremotos vêm para matar todos aqueles asiáticos não cristãos, e os Tsunamis são uma demonstração da ira de deus contra a falta de fé que ele implantou, já que foi ele que tudo criou. E para tudo isso os santos amigos me darão uma única explicação "livre-arbítrio". Mas ele quem deu, por que te puniria por transgredi-lo?
A bíblia é um livro velho escrito por muitas mãos, incoerente como a religião, interpretada como querem e esfregadas na cara do mundo como verdade e condição.
Chega, vou esconder meus ismos, e vencer a revolta.
Não há revolta contra o que não existe, só contra as pessoas que acreditam ter as respostas, mas nunca leram um livro inteiro na vida.

Não estou deixando ninguém à vontade para ir contra minhas ideias, afinal não posso escrever que sou contra as de ninguém dentro de seus espaços.

4 de jul de 2013

Lá vem ela, toda negra lá vem.

Estamos no escuro agora, sem sabermos ou sem assumirmos. Vemos apenas os flashes!
Não passa de uma necessidade incontida de chamar para si a atenção do sol.
Ímpetos da irascível e iminente verdade, a real e paradoxal "internética" solidão

.

16 de abr de 2013

Pelos alienados em meu caminho


Eu prevejo o fracasso daqueles que imaginam irreal superioridade em atos de desrespeito. 

24 de mar de 2013

A incompreensível morte do (C)oelho, ensaio metáforico

Uma criança acredita no coelhinho da páscoa.
Seus pais acham lindo, isso faz parte da ilusão da infância, crer naquilo que lhes conforta, dá alegria e recompensas (chocolates). Essa mesma criança deixa de acreditar subitamente, ao constatar que é impossível a existência de uma entidade mítica entregar os ovos em todas as casas das crianças do mundo todo... Ao ler uma reportagem sobre a cultura chinesa, que despreza o cristianismo portanto a páscoa, viu que as crianças de lá vivem muito bem sem essa alegoria representada pelo dentuço.
Só que seus pais não aceitam a revolução de seu filho, não, é preciso conservar a ilusão da infância! Como assim, falando para os amiguinhos que o (C)oelhinho não existe, que Papai Noel não existe, que Iemanjá não existe, que Afrodite também não existe?
E esse menino afronta a maioria.
A maioria que sabe da inexistência racional do coelhinho, e cobram até mesmo dos adultos, que o reconheçam como parte imprescindível de sua natureza.
E crescendo, todos deixamos de acreditar no papai noel, e o papai noel não fará falta, nem o coelhinho. E por estarmos amadurecidos é que julgamos isso normal.
E será que é tão difícil virar adulto para a grande maioria? Se isso for sinônimo de aprender e conhecer, sim, é muito difícil deixar o coelhinho morrer.

19 de mar de 2013

Dias de fúria

Grite! Mais alto! Mais alto!
E assim aumenta minha calma.
Não deixo que os gritos, arma dos fracos, me desnorteiem.
Sigamos na paz da música que fica na cabeça.
Continue a me mostrar que está errado errando, inspire-me a ser melhor te aceitando.
Grite, mas não espere meu pranto.

12 de mar de 2013

Qualquer canção, muitas canções

E sonhos têm explicação?
Nem uma poesia sem nexo dirá
Nem o tempo que parece o ar
Nem a esperança de encontrar
E tem explicação pra canção?
Que com notas fazem chorar
Que de dias fazem lembrar
Que a vida talvez possa contar
Quem dirá? Algum dia atrás,
Quem dirá? O amor é capaz.
Marcianos invadirão a Terra?
Lençóis e granadas trarão?
Perguntas que fazem o verso
Respostas talvez nunca virão...

21 de fev de 2013

Crônica de uma manhã inacabada

Um relógio biológico, antes inexistente, agora desperta antes do previsto e com as galinhas os meus sonhos também cantam, cedo, muito cedo.
O caminho é conhecido, a companhia previsível e desejada, o vento da manhã e mais um dia de trabalho, simples, sem expectativas cruéis. Mas convenhamos que algumas horas antes ainda vêm a influenciar no humor dessa jornada. Algumas lágrimas que foram derramadas, ouvindo o jovem que foi antes, "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã..." ainda insistem em aumentas a melancolia, que espera o consolo na atividade que de odiosa, por enquanto, só tem a angustia não estar nos trilhos certos.
Pessoas vivas eu encontro, sei que suas aventuras são novas, as euforias latentes queimam pelos olhos, e cansando das metáforas eu digo: não veem o outro, concentram suas energias em fortalecerem-se a si próprios, como se o mundo fosse seu espelho.
Deveriam ensinar Respeito na escola! Não subserviência, sim compaixão, entendimento do outro, o "dar importância" àquilo que tanto amamos lhes dar.
E são horas que parecem infinitas, de olhos que buscam aprender, de cérebros que sabem que precisam funcionar e de uma maioria que insiste em se boicotar.
Passamos adiante, levamos o conteúdo para outra sala. Outros olhos e outras necessidades, que chegam a umidificar o calor da decepção recolhida.
Mais a vida que existe aqui fora clama, e compramos o primeiro objeto da casa, umas gotas quentes cairão, e mais conotação...
O ônibus mexe com o equilíbrio e quase caímos, levo o corpo para outro lugar, o mesmo lugar onde começam as perguntas.
E se quero desistir? Penso que a última coisa cogitada tenha sido isso, a vontade sobressai ao ganho e o desejo é mais metafisico que racional. Mencionamos Hegel e Taine, e ainda não sabem o que é determinismo, nem o que significa sociedade, talvez a sociedade que os rodeia é virtual e nesse virtualidade não caiba o amor, ou sim.
Volto às teclas, que recebem pacientemente meus lamentos, e talvez reconheçam a força dã as minhas ânsias.
A manhã ainda vive sua última hora e tantas emoções já a preencheram, o sol tímido não apareceu, talvez esteja como eu, guardando sua luz, mas a minha ainda não encontrou um forma de expansão, e espero que a tarde tenha mais a oferecer, imergindo-me numa onda contrária ao pessimismo.

9 de fev de 2013

Não escreva mais um livro

google
Saudade daquelas coisas que ainda não vi, porque a pureza daquilo que é amargo ainda respira dentro de mim. E se são palavras tortas, onde eu alcançaria a retidão das minhas ideias? O mundo mergulhado no caos e todos fingem não ver, fechamos os olhos ou usamos lentes transformadoras. Os dias são curtos, a hora é derradeira, e não é da morte. Sob telhados quebrados, corpos e almas enegrecidas se molham com a chuva fria implacável... Numa outra esquina, animais, pequenos seres, com vida e dor, molham-se sob a mesma chuva, ácida, não quimicamente, seletivamente ácida.
Não somos nada, e ainda que encontrássemos motivos para crer que somos, seríamos ainda menos por não perceber o egoísmo de tal pensamento. Não há rima, sem poesia e sorriso. A vida dos felizes são teatros engendrados em ignorância, não a violenta, a ignorância da verdade, que se mostra abertamente pelo mundo, mas que para muitos ainda é escondida sob os livros. 
Leia e seja inconformado, leia e descubra: ser feliz não é uma realidade, ser feliz é escolha efêmera.

4 de fev de 2013

A vida dos outros


O outro lado. Londrina, PR, 1955. Foto: Marcel Gautherot/Acervo IMS

Não me importo com a cor do seu cabelo
Nem me perco tentando entender enredos
Faça a mala e vá para onde quiser, livre...
Por que sempre associamos ao amor
Aquilo que normalmente é só palavra ?
Use a vida, eu uso as horas, lentas notas
Daquilo que eu odeio pouco é do diferente
Odeio o ser como tudo é e não aceitar 
Aceitar que a vida não tem poesia não 
Não tem poesia não, é fria, mas use-a
Como se fosse fácil pô-la sobre o fogo
Use-a com seu cabelo, sua sexualidade,
Suas dores, suas cores e desesperos...


14 de jan de 2013

Pra você não me dizer que não falei das flores



       Talvez seja impossível ser feliz se começarmos a


 olhar pro lado de fora da janela. Aí você me diz: "como 


não? um mundo perfeito, o sol brilhando, a natureza, os 


animais... " Ouvindo isso eu concluo: "você ainda não 


está olhando lá pra fora".

    

Dentro de nós é mais fácil, sabemos (se quisermos) 

como e o quê mudar caso haja necessidade de fazê-lo, 


achando o belo perto daquilo que nos é plausível. Agora 


esse mundinho estranho, de desigualdades, pesos e 


medidas tão discrepantes, só faz pensar: "o que 


faremos?"


Porém, não há a verdade nesta e nem outra constatação.

2 de jan de 2013

Ano novo de velhas demagogias.

A imagem foi salva do facebook (sociedade racionalista) http://www.facebook.com/sociedaderacionalista?fref=ts
Chega novo número, não se vão os velhos hábitos.
As insistentes manias coletivas, incólumes, fingem ser frescas.
"Desejo", "peço", "agradeço", e no fim continuo o mesmo, cultivando conscientemente, com muita hipocrisia, minha amnésia.
Faz-se o mal, com os mesmos atenuantes, "não sou eu quem vai mudar o mundo", mas enquanto isso o mundo muda aos pés das gentes...
Ignorar a realidade, tapar os ouvidos, olhar a carteira... antigas liberdades. A sociedade calada é produtiva?
Mais um ano, mais uma ilusão. Ilusão que pode ser matéria prima para o belo, ou para o vil, sejamos sinceros ao menos, somos iguais, só avançamos no calendário.
Nasce um novo sol? a luz é a mesma, apenas se queime sob ela.

Trabalharei mais, apenas.