24 de mar de 2013

A incompreensível morte do (C)oelho, ensaio metáforico

Uma criança acredita no coelhinho da páscoa.
Seus pais acham lindo, isso faz parte da ilusão da infância, crer naquilo que lhes conforta, dá alegria e recompensas (chocolates). Essa mesma criança deixa de acreditar subitamente, ao constatar que é impossível a existência de uma entidade mítica entregar os ovos em todas as casas das crianças do mundo todo... Ao ler uma reportagem sobre a cultura chinesa, que despreza o cristianismo portanto a páscoa, viu que as crianças de lá vivem muito bem sem essa alegoria representada pelo dentuço.
Só que seus pais não aceitam a revolução de seu filho, não, é preciso conservar a ilusão da infância! Como assim, falando para os amiguinhos que o (C)oelhinho não existe, que Papai Noel não existe, que Iemanjá não existe, que Afrodite também não existe?
E esse menino afronta a maioria.
A maioria que sabe da inexistência racional do coelhinho, e cobram até mesmo dos adultos, que o reconheçam como parte imprescindível de sua natureza.
E crescendo, todos deixamos de acreditar no papai noel, e o papai noel não fará falta, nem o coelhinho. E por estarmos amadurecidos é que julgamos isso normal.
E será que é tão difícil virar adulto para a grande maioria? Se isso for sinônimo de aprender e conhecer, sim, é muito difícil deixar o coelhinho morrer.

Um comentário:

  1. Pois é, há um momento em que é preciso mudar, para não ficar a margem de si próprio por toda vida. Boa foto!

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