11 de dez de 2010

A negra água

Seria redundante dizer que essa melancolia é negra, que se espalha pelo corpo como os poemas de Azevedo...
Simplesmente traduzida num olhar profundo, uma inquietação dilacerante que se perde nos sonhos de um sono profundo.
Como em uma crônica dizer sobre esse dia, que nada mais foi do que uma cascata de calor corrompendo as certezas, abalando a sanidade.
Já não há um sorriso despreocupado, não há mais ruas em que o pensamento não se enquadre no niilismo.
Acabou uma fase que foi a razão. Já iniciou uma fase que não existe perdão. São as malditas dúvidas, a companheira negra...
Quando os olhos azuis cansados de uma alma pura choram o passado estraçalhado, o presente comprometido e o futuro ignorado, não há perdão.Somente uma angustia que necessita ser compartilhada.
O que seria o amor? As paixões impossíveis, seria o ser idealizado?
O egoísmo divide espaço hoje com a contradição, ele esbarra e se confunde com remorso.
Medo! E somos traídos por nós mesmos. No desejo, no ímpeto, pelos cheiros...
Vou me desligando da realidade, assim eu vivo. Apenas quando não penso na muralha que me separa da onírica paisagem que cega meus olhos. Mas hoje, apenas a melancolia. Rabiscada pelos mais dolorosos caminhos seguidos e ignorados.