30 de nov de 2009


O mais estranho de hoje é não saber como cheguei aqui

Pois todos os passos incalculados levaram-me longe

Ainda sinto que chegarei a um estado que consigo sentir

Mas tudo é tão estranho, não só pra mim, se atravessar...

Numa mesma calçada, pensamentos do céu ao inferno

O lado bom das coisas despertando pra uma doce vida

O lado ruim das coisas concluindo que não há razões.

Não dá realmente pra saber o que fazer ou o que pensar

A vontade de chorar vem e vai, o sorriso vem e vai

Não só pra mim, eu sei que não só pra mim, mas e daí?

Por que eu sinto com tanta força que algo está diferente?

De onde viemos aonde iremos? Quem somos senão pó?

Por que sendo assim, uma mente insana ainda vagueia?

Porque sinto que ainda beijarei os beijos ainda não meus.

18 de nov de 2009

O sentido da palavra


Primeiramente, abstraindo o eu.

Sofrer, sentir, saber, sentimentos...

As palavras passivas por paixão

Quando se aprende a semântica

Todas as letras juntas confundem

Confundem o espírito que lê melhor

Corrige cada erro e absorve verdade

Introduzida na trama vivencial

A ironia é figura para instigar a fé

Fazê-la duvidar de si mesma, perdida.

O gavião que antes incitara o medo

Sob a afiada mão da linguagem

Hoje áptero vaga faminto, é como pó

As nênias que escuta, o angustiam mais

É hora de cair nos braços da morte!

Não é claro sob artifícios paradoxais

É vertiginoso entre as antíteses

Cada dia mais fervilhante na mente

Quando os pontos se unem, significados.

11 de nov de 2009

Até queria...


Com um sorriso no rosto começar o dia

não viver nessa paranóia dualista...

Saborear o doce aroma do café fresco

sentir na pele uma brisa pra resfriar

Falar de simplicidade sem parecer vã

Controlar a ansiedade e meditar

Escolher boas palavras para escrever

Sem ter medo de errar, apenas viver.




5 de nov de 2009

Diga-me a verdade


Existe esse amor? Ele perguntou.
Indignada com a pergunta retórica ela exclamou:
_ Não foram suficientes esses milhares de quilômetros percorridos para te provar?
Como uma onda de uma de suas músicas era aquele avassalador sentimento, não parecia apenas utopia e nem auto-afirmação do ego para ela.
O silêncio permaneceu por alguns intantes até romper uma palavra:
_ Fascinação!
Esse foi o grito desprendido que revelava um pouco de tudo o que eram aqueles vários sentimentos que cercavam a alma confusa da moça.
_ E a tal poesia? Onde está além de dentro dos seus olhos?
_ Num papel amassado que já fora lido e relido.
_ Mostre-me suas palavras escritas, quero ver se condizem com suas atitudes passionais.
Fria por ter contestada sua paixão, tirou do bolso o velho pedaço de folha e foi lendo em voz alta:
_ Num dia quente pedi a chuva para lavar a dor da sua velha ausência, permanente vazio que paira nos meus intervalos doentis...
_ Pare! Não entendo dos seus ais!
A dificuldade de entendimento ultrapassou os limites da sabedoria inerente àquela alma. Os idiomas se misturando não clarearam o diálogo.
_ Cale a boca e me beija!
_ Se o que eu sinto não for real acordarei deste sonho agora.
E sem mais nenhum suspiro as bocas se uniram; quentes línguas se misturando...
O relógio desperta e são sete horas da manhã.

4 de nov de 2009

A nova e cruel Amélia.


Estava ela toda displicente, o tempo a levava facilmente nos ares não tão limpos e respiráveis, já contavam muitos anos que se fora sua beleza.
Nas jovens marcas senis estavam cravadas as recordações de passagens confusas, amores revoltos e dias de solidão. Agora já nada mais a incomodava...
Como poderia reviver tais apelos, ali poderia apenas repousar suas insatisfações, nenhuma preocupação rebelaria seu intuito presente. Clichê assumido: Suicídio!
A lentidão dos ponteiros era agora novidade, já que sempre as horas passavam tão depressa carregando a vida para ignoradas esperas, longas esperas, atuais esperas. Não se resolveram seus dilemas, a casca continuou dura, as lágrimas não caiam como antes.
Num dia assim nem o mais terno dos silêncios removeriam suas constantes ideias alienatórias, assim como na fala de Amélia, " A nódoa que uma vez a polui é eterna; nem todas as lágrimas, nem todo o sangue a podem lavar", então o melhor remédio é o descanso da mente.
Ela não acreditava em Deus, lera as palavras ditas serem ditas por ele, não as convenceram, então agora o inferno seria apenas uma doce ironia. Os meios aqui não revelados, mas um corpo que antes fora vital e desejado, agora dorme numa eterna insensibilidade, brevemente corroído pela terra; terra dela, minha, e dessa incompreensível sociedade.


Cristiane Felipe.


Inspirado na peça de Pinheiro Guimarães(1832-1877), A História de uma moça rica.