4 de nov de 2009

A nova e cruel Amélia.


Estava ela toda displicente, o tempo a levava facilmente nos ares não tão limpos e respiráveis, já contavam muitos anos que se fora sua beleza.
Nas jovens marcas senis estavam cravadas as recordações de passagens confusas, amores revoltos e dias de solidão. Agora já nada mais a incomodava...
Como poderia reviver tais apelos, ali poderia apenas repousar suas insatisfações, nenhuma preocupação rebelaria seu intuito presente. Clichê assumido: Suicídio!
A lentidão dos ponteiros era agora novidade, já que sempre as horas passavam tão depressa carregando a vida para ignoradas esperas, longas esperas, atuais esperas. Não se resolveram seus dilemas, a casca continuou dura, as lágrimas não caiam como antes.
Num dia assim nem o mais terno dos silêncios removeriam suas constantes ideias alienatórias, assim como na fala de Amélia, " A nódoa que uma vez a polui é eterna; nem todas as lágrimas, nem todo o sangue a podem lavar", então o melhor remédio é o descanso da mente.
Ela não acreditava em Deus, lera as palavras ditas serem ditas por ele, não as convenceram, então agora o inferno seria apenas uma doce ironia. Os meios aqui não revelados, mas um corpo que antes fora vital e desejado, agora dorme numa eterna insensibilidade, brevemente corroído pela terra; terra dela, minha, e dessa incompreensível sociedade.


Cristiane Felipe.


Inspirado na peça de Pinheiro Guimarães(1832-1877), A História de uma moça rica.

4 comentários:

  1. "então agora o inferno seria apenas uma doce ironia"

    - há um tom tragicômico, se me permite. Gostei.

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  2. Bardo você pode falar o que quiser que eu escuto...
    Obrigada

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  3. Vou fazer 50 anos, pode-se dizer
    um sobrevivente, porque pulei, e pulo
    por sobre mesas 'pseudos divinas', esgano
    'pretensos deuses' de armani, e mais além
    encontro inóspitos fundos de quintais, onde
    acorrentados junto a 28 que late
    e um só que morde, radiantes criaturas, essas
    sim, vítimas desta "incompreensível", que, oh
    "proposta indecente", pinta 7 portas de saída
    e escreve encima palavras, metáforas 'virais':
    SAGRADO
    TRIBAL
    FAMA
    INFÂMIA
    RIQUEZA
    ESPIRITUALIDADE
    EXPERIÊNCIAS
    E cobra ingressos variados, conforme
    o gosto da clientela, que quer fugir
    ao insaciável apelo da atualidade...

    Cris, esta foto ficou muito muito bela

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