16 de fev de 2017

Mortes

Você morou em mim, esperança.
Por um tempo fugaz, na segurança
Disse a ti que seria sua fortaleza
Embora toda a vida, hoje tristeza

Alimentei os sonhos em sua face
Nomes de anjos, santos, mártires
Bebi incerteza sem usar disfarce
Matei meus pecados dos alarmes

Viveu em mim ou na lembrança
Enriqueceu minh'alma de pobrezas
Saiu de meus sonhos uma criança
Dissipou o destino amada riqueza

9 de jan de 2017

Se amanhã algo mudar

Parei para escrever porque inventei músicas para situações inexistentes
Pensei em dizer o que sentia, mas de erros como esse eu já me cansei
Todas as flores que não recebi me lembram que perdi muitas das horas
Nas noites em que sorri, meu sorriso fora o teu, nunca saberia o porquê

Sem pressa nunca esteve minha mente, ansiando por tempos mais quentes
Das letras que escrevi, nenhuma canção eu cantei, só restos disso herdei
Os anos passaram e não me encontrei sem a espera, só desejos já latentes
As roupas amassadas, os cacos jogados, memórias rasgadas não perdoei

Amanhã talvez venha alguma paz, um plano novo, uma surpresa na tarde
Se não aparecer nenhuma luz nova, ainda haverá o entardecer e de novo
Não mais farei do presente um jogo, das janelas abertas virá a verdade
Respiro, venero cada toque ido, a alma e fogo, as marcas do teu corpo