29 de mar de 2009

Do anacronismo à loucura


Certa vez senti minha alma com 80 anos como se tivesse vivido tudo
sensação que estava perdida em fatos que aconteceram que não vi
tentativa de entendê-los me perdi e dormi
várias luas no céu, um avião caindo ou estrelas em mim
Como em outra ocasião, tive o olhar repetido de uma cena nova
que mostrava o sol...
Um sonho qualquer em que entrei sem adormecer
sem perceber acordara.

Não há explicações para textos sem ínicio meio e fim, como aqui
Explicar sinônimos, contar os fenômenos, desligar a luz
que não foi apagada, na madrugada...
Um silêncio que só faz ouvir as músicas erradas

São vultos de pessoas desconhecidas que atacam a mente
que se debilita no tempo, parecendo inconsciente
Poderes indomináveis como água, ebulição permanente
A porta do sonho foi aberta, uma vez nele, não se pode voltar
fica a dúvida:Quando foi e onde foi que eu errei?


Pra perceber se isso aconteceu preciso recuperar a lucidez escondida...
Dentro de um livro ou numa banheira de água fria.
Abstrata é a palavra que define, então não a escreveirei
rabiscarei num papel do futuro ou papel do passado...
Algo que ainda virará filme.

27 de mar de 2009

About the future


Não fingirei mais ...

Não falarei sobre assuntos que desconheço ou que não me apetecem.

Sim, falarei sobre o que sinto independente dos julgamentos

Sim, abrirei um sorriso, quando estes julgamentos construírem estruturas.

Beijarei a face dos que me amam e não rasgarei as cartas dos que me odeiam

Repetirei versos que me apasiguam a alma, serei sim redundante quando quiser...

Pois sou inconstante em alguns aspectos, troco o dia pela noite e vice versa.

Penso que construo algo bom amando, e ouvindo, talvez até pensando

Lerei os livros bons e os ruins também, até aprender a distingui-los

Continuarei sem entender coisas do universo mas divagarei sobre estas

Ouvirei meu Eddie Vedder, inspirar-me-ei com sua voz e letra e melodia...

Amarei os meus e tentarei mudar o mundo, com as armas que tenho:

Idealismo, esperança e carinho.

24 de mar de 2009

Reflexos da amizade





Somos reflexo do meio em que vivemos
meu meio é alegre, conveniente e quente
temos menos medo agora, ideia latente
ouvimos, dividimos aquilo que comemos

As palavras certas que nunca escolhemos
não precisam ser ditas, felizes somos, gente
os planos parecidos são diferentes, tente
que tudo que há de vir será bom, oremos

Oremos aos deuses diferentes que cremos
participarão de nosso idealismo, solenemente
poucos partilham do amor que é direfente

Dignas ofertas de sentimento phileo temos
reflexos de nossa sociedade fechada, lente
que enxerga através da complicação só sente.



23 de mar de 2009

Poesias instantâneas III

Olhava para dentro e não me achava
perdida num sonho, com seres ínclitos
sabendo pouco da verdade, lamentava.
Todos meus pretéritos imperfeitos "usara"

20 de mar de 2009

Algo diferente de poesia


Hoje não farei das minhas palavras nenhum poema.

Quero falar sobre um filme que me tocou a alma e fez pensar sobre a essência da vida, as virtudes que devem ser exaltadas e as pessoas como merecem ser tratadas.Por acaso peguei na globo ontem a noite um clássico que jamais assistira, "Melhor é impossível", que merecidamente Jack Nicholson e Helen Hunt ganharam oscar de melhor ator e atriz consecutivamente.
A simplicidade com que os temas são tratados e a realidade me fizeram pensar do ínicio ao fim, e várias lágrimas se derramaram.
Como um homem grosseiro e sarcástico, uma mulher sem vida pessoal amargando com um filho doente e um artista detonado, puderam construir uma história de amizade e respeito que fazem esse drama tornar-se épico, com elementos vivos do gênero: Um herói (Melvin), uma vítima (Carol) e um mal grandioso, a vida. Uma trajetória (lealdade, coragem e honra)
Mas esse mal que pode parecer a vida, pode facilmente ser transposto, um gesto de generosidade muda tudo!
Cada diálogo do texto envolvia uma emoção estridente, com elementos tácitos e claros, embora muitas vezes precisassemos ler nas entrelinhas.
Ajuda mútua e sinceridade, sinceridade que pode ferir mas que salva!
Filme inesquecível, do qual adquiri mais algumas lições pra minha vida.
" Estar na escada da sua casa, na sarjeta, é melhor do que estar em qualquer outro lugar que eu possa criar ou imaginar..."
As pessoas na sua simplicidade têm muito a oferecer, então entregue-se.

19 de mar de 2009

Apenas um grande bloco de frustração


Aquilo que venhamos a nos tornar é fruto de hoje
o hoje que não te acaricia, não te dá pé na profundidade
Acho que mesmo na tenra idade, somos capazes de prever
que venhamos a ser fruto do mal que tivemos ontem.
Pra mim não importa se o rádio toca, eu não escuto
a televisão ligada só me traz mais medo e pessimismo
Mesmo tentando ser o que gostaria, sou fruto de hoje
um fruto amargo, levemente amadurecido e descorado.
Não tenho explicação para os súbitos lampejos de dor
acho que são reflexos das minhas mentiras honestas
Menti até para mim e achei que fosse sair impune desta
Vendo a intensidade de um filme b me revi na tela.
Que ilusão, somos frutos de ações alheias e próprias
da chuva fina e do sol forte...
Preciso buscar remédio pras minhas inaptidões
que se multiplicam em cada frase de um grande autor.
Pretendo no amanhã não estar lendo algo velho
quero pular a fase da incompreensão
Voltar a ser árvore frutífera de cores vivas
não mais ser fruto caído sem utilidade no chão.


17 de mar de 2009

Amores platônicos


Antes eu tinha uma ideia que amor platônico era aquele não correspondido.
Não, ele só não é sabido pelo amado, é amor idealizado, distante do corpo e não da alma.
Todos os verbos utilizados podem ser descartados, valerão apenas os adjetivos...
Lindo, alvo, indubitavelmente abençoado.
Meus amores que julgo inalcançáveis, são na maioria das vezes imagens de impossível realidade.
A chance de um deles cair de pára-quedas na minha varanda, é de um, mais incontáveis zeros.
Como a possibilidade de atrai-los é infinita dentro da minha mente, infantil.
O dia de amanhã é o futuro próximo do nosso espaço, e nele sim existem infinitas possibilidades.
Não podemos negar, tranquiliza amar o impossível, ele acalma a falta de perspectiva e desperta a ludicidade da vida.
Podemos cultivar nossos amores platônicos, pois são combustíveis para nossas máquinas alternativas, e além disso se existe algo há mais que zero, existe chance!

16 de mar de 2009

Por que tão cedo?


Jovens estão indo embora antes da hora
Quem sabe a hora certa? Acho, não é agora
Ontem senti meu coração apertado
não sabia o porquê, mas algo incomodava
Bem agora fico sabendo, eu a conheço!
Uma jovem foi embora, com tanta revolta
O destino dela foi mudado por um cara errado
Levou sua inocência em troca de um cigarro
Essa onda do mal foi virando tempestade
nem mesmo uma filha lhe trouxe liberdade
Prendeu-se num mundo carrancudo
cheio de vagabundos, que trocam o céu pelo chão
Não! Não consigo entender...
Ver as pessoas que eu cresci observando
indo embora tão cedo.
Por mãos cruéis, pesadas e sujas, levaram-na
Mas antes disso a droga já tinha lhe condenado.
Fica uma súplica pros céus:
_Segure os jovens aqui por favor!
Não os deixem levados pela dor, não mais
Talvez ela tenha tentado, o mundo não deixou
Independente dos motivos, não tem como aceitar
Degradado corpo, se foi antes, alma.
Que sua cria seja envolta numa luz e não sinta tanto
Pois nós que vamos ficando, choramos e lamentamos
Mais uma jovem vida perdida, um corpo largado
Vá em paz, seja pra onde quer vá... Resta saudades.


14 de mar de 2009

Soneto sem açúcar

Quem me dera vir à boca apimentada
Palavra doce substituindo velha fala
Consertar erro brusco, letra que resvala
Magou-me não saber versar cobla rimada

Os velhos talvez fizeram poesia cantada
Que de consoante e dor puderam fitá-la
Atravessaram anos e trevas sem mudá-la
Ainda não contemplo em mim tal retomada

Os sonhos fazem buscar ritmo na calçada
Fiz música falando deles chamada cilada
Era música sem efeito, por mim cantarolada

Versos são pra mim hoje, estima derrubada
Por ondas modernas inevitáveis, jogada
À razão, não atribuo donos, fico controlada

13 de mar de 2009

Quando nos tornamos poetas?


Desde o nascimento quando ao invés de choro nossas mães ouviram...
Música?
Quando ao pensar em algo que nos fez sofrer, escrevemos molhando o papel...
Lágrimas?
Flutuando entre o surreal e as imagens concretas que fazem de passarinhos...
Sonetos?
Tentendo retratar o impossível, aquilo que só em nós faz sentido, tácitas...
Palavras?
Mas onde mora a linha tênue que define o estado ou qualidade poeta...
Sonhos?
Quando não sabemos distinguir tristeza de alegria e nos declaramos capazes...
Em versos!


E mais um ano se passou


Quando amigos "lúdicos" revestidos de amor chegam
Parece que o desejo é não acreditar que sejamos verdadeiros
Muitos erros resbalam na ansiedade de acertar e quando vê...
Acerta-se em cheio!
Eles iluminam suas apagadas segundas-feiras e terças.
Contribuem significantemente com o que se constrói em si mesmo
Beneficiam suas inabaláveis estruturas e costuram rasgos antigos
Dam a impressão que outro mundo ainda existirá
Mais um ano pra você irmã. Irmã que achava não mais encontrar
E se num dia desses nos perdermos, numa tarde de setembro,
Sei que achemos jeito de nos encontrar
Pois em nós não existem defeitos, que não sejam os mesmos
Que não sejam relevantes e que não sejam passageiros
Pretensões não nos faltam, crianças também nos rodeiam
Nomes até são os mesmos, criaram-se até laços parentescos.
Parabéns por mais um ano, esse o meu primeiro.

11 de mar de 2009

Xerostomia


Vou tentar mascarar minhas metáforas em tons pastel

Pra evidenciar que minhas dores físicas é que me levam

Minha cabeça quase explode e minha boca vira areia

Culpa dos remédios ou minha culpa por procurá-los

Quando acontece isso, frequentemente álias, neblina.

Transformo os pensamentos mais comuns em viagens

Como hoje, onde vendo uma construção senti algo inexplicável

Sensação de que algo grandioso ainda me espera, alguém.

Uma música martelando na cabeça... Are we human?or...

Por Deus! Que confusão, só quando ela vai partindo me deixa tonta

Um medo surpreende meu dia, pânico de perder qualquer coisa viva

Viro um resto imprestável que quer escuridão, perde tempo

Xerostomia maldita!

Acho até que gosto dela, pois me remete à certeza que a dor virou farelo.

Mas ainda busco no fundo da mente, uma forma de dizer:

Tem algo grandioso pra acontecer, mas o quê?

Apasiguador símbolo, que vem numa cartela com quatro.

10 de mar de 2009

Ensino passo a passo


Desafio
Desastres aparentes
Inconsequentes jovens vítimas
Tropeços pela história, descaso.

Carpetes
Tapetes vermelhos
Por onde passam nobres
Pobres, padecem ignóbeis, répteis...

Sociedade
Pouca força
Limites transponíveis, deles
Incompreensão, sujeira para nós.

Futuro
Construção vagarosa
Com poucos lutadores dispostos
Ao menos descomplacentes com derrotas.

8 de mar de 2009

Um dia perfeito com as crianças


Não fala nada porque acelera, espera
Mesmo querendo dar boa notícia, espera
O sol está forte e um sono ainda rodeia
Mas escute a voz da experiência e cadeira!

O vento que sopra é quente, algo saciará
A fome que espreita, o gole que ela enganará.
Tenho tempo agora e espero o dia enfim.
Amo tanto que dói nele, também eu sei em mim.

A água traz a paz, não sempre ali, ansiedade
Lavradas as obrigações, diversão sim enfim
Amo tanto que faz feliz, feliz eu e eles assim
Come, corre, nada, ciclo acompanhado

Amigos grandes, meninos pequenos
Sorrisos pedintes, tão convincentes
Tão perfeito é o momento, que só agradeço
Meus filhos virão depois do meu primeiro

O inesquecível acaba rápido e docemente frio
Indo embora sem tormentos, planejo perspicaz.
O cansaço traz tranquilidade e desejos
Em casa aproveito o meu momento, beijo!


5 de mar de 2009

Poesias instantâneas II


Muitas vezes tentamos entender o incompreensível
O porquê da vida, do mundo do voo rasante dos pássaros
Tentamos entender como alguém nos ignora
Choramos as lágrimas da ausência de motivos.
Parece melhor sofrer pelo não do que remoer sem ele...


4 de mar de 2009

Mais 24 horas (Escrito por minha grande amiga Cristiane Maria)

Deixa partir Ou pedir pra ficar
Sem explicar as razões para as minhas alucinações
Ou cobrar, apertar, adulterar , talvez...
Mas por que não acalmar, acalentar em meus braços ?
Tranquilizar e continuar...pois o dia já vai acabar...
E amanhã teremos mais 24 horas, tudo vai continuar.

Poesias instantâneas


A poesia se dá no resgate das emoções naufragadas
Num náufrago causado pelos medos e paixões
Corta a mente como flecha, só se refaz em ilusões
Tonteia e clama por fuga, escapa com digitadas...

2 de mar de 2009

A dor alheia


De imaginar uma palavra que descreva, peno.
Pois simples e idêntico é o meu amor
Irmandade nova que amedronta por ferver
Se dói em mim dói em você...

Por que o que é doce derrete mais rápido?
Por que não, ao invés do silêncio a boa palavra
Estar no seu verso aliterando, tornando pacto.
Saberia dar o tiro certo mas sei, machuca.

Por serem minhas as mesmas dúvidas num certo tempo
Talvez em outras folhas já escrevera meus tormentos
Mas hoje quem sofre não sou eu, não pelas mesmas razões
Quem dera todos enxergassem o brilho desse olhar
Impossível não amar, então como entender o desprezar?

Hoje é só mais um dia, águas passadas
Coincidentemente temos mais 24 horas.
Talvez isso ou nada.

1 de mar de 2009

Um apagão acolhedor


No céu uma lua pela metade, com brilho ingênuo
Na terra uma multidão com energia, sons atipícos.
Vida com alegria, sensãções passageiras
Deixo um dejavour complementar meu domingo.

Uma multidão cantando ao som de velhas canções
Sorrisos soltos e solitários em meio a escuridão
Só mais um comprimido pra levar a dor

Portas lotadas, água escura e sem reflexos
Um amor ao lado, um amigo perto
Um dia com sol e chuva, calor e vento leve
Idéias vagueiam livremente sem caneta e papel

Um livro que ainda será escrito, parte de uma utopia
Conquistas ainda ásperas que andam um passo adiante
Mais uma luz se acendeu pra iluminar o coral
Vibrantes notas que enfeitaram o dia do meu quintal.