29 de abr de 2009

Admiração à "loucura" dos poetas


Chorosos versos meus desentoados


Chorosos versos meus desentoados ,
Sem arte, sem beleza, e sem brandura,
Urdidos pela mão da Desventura,
Pela baça tristeza envenenados;

Vede a luz, não busqueis, desesperados,
No mudo esquecimento a sepultura;
Se os ditosos vos lerem sem ternura,
Ler-vos-ão com ternura os desgraçados.

Não vos inspire, ó versos, cobardia
Da sátira mordaz o furor louco,
Da maldizentre voz a tirania.
Desculpa tendes, se valeis tão pouco;
Que não pode cantar com melodia
Um peito, de gemer cansado e rouco.


(Manuel du Bocage)


Lendo esta obra prima de Bocage, fitei-me nos últimos escritos meus, que muito refletem a respeito de produção, criatividade e frustrãção. Infelizmente nem todos são presenteados com a destreza que Bocage tinha para desenrolar versos tão eficazes, porém a inspiração anda nesse passo, uma abstração e uma dor podem ser matéria pura de poesia. E viva Bocage!

26 de abr de 2009

Não tente me entender, não hoje

Onde? Na rua?
Seria impossível encontrar-te na lua? Num voo sob o arco-iris, numa estrela?
Naquele copo vazio, com gotas ínfimas de liberdade mora a insanidade?
Já perguntei se seria simples como contar para alguém, mas não é.
Ninguém me responderia onde posso encontrar?
Uma vez por semana tenho que fazer a prece, olhar pro domingo e ver de novo.
Aquele mesmo ritual de cores acinzentadas, melhores ou piores momentos?
Não queira me entender agora, nem ontem muito menos amanhã!
Não sei onde estou vivendo e queria achá-lo, sombra negra.
Nenhum símbolo e onda brava do mar, nem conheço a brisa
Somos poeira, você é pedaço de estrela.

22 de abr de 2009

A mais bela canção (fragmentos de uma obra em fase de produção)

A primeira coisa que penso antes de dormir é a primeira porta que abrirei para entrar no mundo surreal dos sonhos, idealizados com presença de alma e onde quem manda é o coração.
Esta porta é branca, quando a abro uma luz clara e calmante me invade, te vejo sentado numa poltrona branca, rodeado da luz que sua própria essência emana. Abro a porta, a alma inebriada... Em suas mãos está ele, dono de seus lindos olhos azuis,um violão, gritando uma melodia inexistente que seria capaz de chamar os anjos. Caminho em sua direção com um papel em mãos, neste papel que acabo de olhar, estão versos simétricos, reconheço minha letra, dou um sorriso e já começo a entender esta alucinação. Você ao perceber minha presença, fecha os olhos e interrompe sua canção como se já soubesse o que faríamos ali. Sento-me aos seus pés, encosto minha cabeça em suas pernas, tenho o corpo quente e a mente fervilhante, entre os pensamentos reais e aqueles que me consomem toda imaginação, não quero mais nada do que tenho neste momento.
Entrego-te o papel que já está um pouco amassado, sua pele toca suavemente a minha mão, é veludo puro, já escondendo marcas que o tempo supostamente imprimiriam-lhe ali. Você o papel e fecha os olhos, as notas do violão retornam e sem tempo de associar letra e música, acontece um som extasiante e de sua boca as palavras que eu havia escrito começam a se transformar em tudo o que eu imaginara...
Em alguma parte da leitura você pára, ri e me pergunta:O que diz esta parte? A tradução ainda imperfeita me traz para realidade, mas isso ainda é sonho e facilmente pode ser superado, com um sorriso quase comovente, você risca o papel e diz já entender o que eu queria dizer, pois nossas mentes caminham juntas. Inexplicavelmente duas vidas são uma, e delas nasce a mais perfeita canção já feita no mundo, mas ainda num mundo infinitamente maior que o meu e o seu, o mundo dos sonhos, matéria pura de poesia, razão da minha existência, tudo ainda espera.

20 de abr de 2009

Mantendo o ritmo


Só quero passar vários dias assim
com projetos ambiciosos em despretenciosas intenções
nada de riquezas exorbitantes, não...
quero o simples entardecer que não é tão simples assim
ao lado das minhas vidas nada é simples
quero continuar com a sensação que amanhã tudo será
aquilo que me impulsiona é a esperança, acho que vi.
De todas as ideias mirabolantes a vencedora é a da vez
então que venham amanhãs, continuarei inventando
e que o ritmo dessa emoção seja a marca na areia
que se vá com água, mas em direção a imensidão do oceano.

16 de abr de 2009

Procurando meus sentidos


Já faz um tempo que não me vêm ideias novas

tento trabalhar as velhas para não enferrujar

já que o tempo corre tão depressa e eu quero ir

chegar em alguma lugar seguro para meus temas


Quero desbravar a realidade, recorrendo ao sonho

tornar mais colorida as páginas que me permeiam

soprar os alienados ventos do romantismo

aprender com erros alheios, os consertando


Sou novel no campo impermeável das boas trovas

capítulos lidos pela metade já completam meus nãos

sofro na busca inanimada das rimas que fecham coblas

contemporanizo os sons que parecem eloquentes


Vão todas as edições de meus amores pro papel

mesmo os que têm lacradas suas aparências

e são eles que me erguem, sustentam e derrubam

Busco na vicissitude das semanas, a beleza.


13 de abr de 2009

À bela Mariana

Bela promessa de mulher era ela, infortuno destino
no meio de dois irmãos, ostentava imagem de beleza
mas ganância e egoísmo levariam-na ao desespero.
Uma clausura seria seu destino, ainda inconsciente
Sua pueril idade não foi impedimento para sua anulação
Vieram os anos atrás de grades hipócritas ditas divinas
foi crescendo à beira de livros que só a alimentariam...
Sua prisão seria eterna, mal soubera ela
Através dos medos chorava com sua mãe, a falta do mundo,
a solidão era rodeada de luxo e mentiras, mulheres vazias.
Não fora a mocinha salva, beirava tragédias Shekspearianas
Nas mesmas grades do sofrimento viria o olhar de amor
esses olhas a tirariam de sua cúpula sangrando, vida
Breve vida feliz, entre noites de luxúria e vinhos
Seu soldado a iludiria, lhe envolveria num mar de ilusões
Pobre menina, uma vítima dos mais nobres sentimentos
Trancada para sempre, pensara na morte como auxílio
desencorajou-se em esperanças desencartadas
sofrera descomunalmente, padecera em suas cartas
Uma a uma enviadas pelo amado irmão, destino: Posteridade
Da veracidade da história ainda surgem divergências
mas há uma certeza, o homem pode ser monstruoso
a vida pode ser bela, mas o destino é sempre incerto.

11 de abr de 2009

Eu não procuraria entrar em tal floresta escura se não fosse a total solidão
não arriscaria perder, se eu tivesse...
Mas não tenho, isso é fato, não me lembre disso!
Só me arrisco nesta ilusão pois me conforta e me faz sentir viva
Levando um pouco dessa minha má intuição, vai junto uma emoção...
Tão grande, eu caio no desconhecido e agarro minha vida no verde dos seus olhos.

9 de abr de 2009

Sem nexo

Hoje, antes de dormir, passando essa madrugada de insônia
quero registrar meus lampejos do dia...
Uma ideia fixa, muita informação, trabalhos mal feitos e paixão
Nascimentos e esperanças unidas com um só significado: mudança
Uma mudança que busco desde que comecei a pensar em vida
Preciso da força poética de meus ídolos, que Bocage satirize minha busca,
que Shekspeare embeleze a inconstância e que Anjos me de palavras de amor...
Vou deitar o corpo alerta, para que este busque no descanso força pra cabeça
mais razões e significados e um dia mais repleto de flores escritas.

4 de abr de 2009

Cinzas perpétuas


Queimem todas as minhas palavras
aquelas que não signifiquem nada
mesmo assim garanto serão eternizadas
pelo vento, poeira que leva ao infinito

Mesmo se hoje elas não valham inspiração
nenhum suspiro negativo calará meu amor
os versos do meu âmago atravessaram o mar
chegarão aos olhos de alguém de outra geração

Nenhum soneto antigo, nem um poema moderno
A contradição dos teus pensamentos eu sei bem
não há necessidade de me atirar pela janela hoje.
Talvez não atirarei pedras amanhã, só brilho...

No universo vagarão minhas letras preenchidas
nas cinzas da ira alheia, jamais serei vil
Os rastros se espalharão, e minha noite em claro
será válida para uma alma moderna, nem tão severa!



Uma tarde inventada


Eu gostaria de desvendar da pétala mais vermelha, o sentido da rosa
cultuar a imensidão do universo reportando à minha própria insignificância
fazer versos simples e curtos, pesados somente de palavras contundentes
gostaria de ter o perfume imaginado, espalhado no lençol dos meus desejos.

Eu gostaria de não me repetir nos sôfregos momentos de inaptidão
sentar sob uma grande árvore com lápis e papel em mãos, suavemente...
Partilhados conosco o céu e o sol, num dia qualquer de primavera quente
com um horizonte revelado nosso, numa corrente de pensamentos

Eu gostaria de criar a mais bela música já ouvida, eu a letra, você a melodia
a melodia da rosa mais linda, aquela que nunca foi vista, apenas descrita
saborear dos prazeres carnais, tendo os batimentos acelerados e mistérios
acreditar que não é impossível chegar tão longe, mesmo no próprio quintal

Queria fazer o "enjambement" dos versos, com o mel mais doce do planeta
e adoçar seu sorriso real, de maneira a sorrir junto com sua boca, sua alma
e conhecer o que não é limitado, fazer uma lista de desejos íntimos semelhantes
fazer da vida uma linda história inacreditável, vivê-la e registrá-la, sob a sombra...


2 de abr de 2009

Given to Fly

Christine Comyn


Com os braços abertos sei que sou capaz de voar

todo som que se manifestar ao meu redor, música!

pois quando minha alma alçancar esse voo ...

jamais voltarei à esta terra sem encantamento.

1 de abr de 2009

O mesmo sonho sempre

Meu sonho tem cor, forma e beleza
brinca comigo quando me prende a noite inteira
Este sonho tem cheiro, voz e paciência
deixa-me extasiada, vai embora e ...
Meu sonho tem ontem, hoje e muita luz
na minha mente crio artifícios que apasiguam
Mas meu sonho tem face, coragem e liberdade
embora seja delicioso viajar nessa utopia
as portas só darão para mais um dia, aqui.
Pois este sonho com forma, doce e cheiro...
Não deixa de ser sonho, feito na cabeça!