31 de jan de 2009

Estrada


Queria seguir numa estrada pro nada, buscando chegar em qualquer dia que seja o futuro.

Mas que tolice buscar o futuro, já que o vivo agora, intrigante, pois não o imaginava assim.

Minhas meias ficaram velhas, achei que as traria até aqui.

Queria acelerar nesta estrada, num lugar desconhecido, onde o frio me abraçasse e eu continuasse como estou, quente.

29 de jan de 2009

Guerra

Fruto de um tempo remoto uma guerra
sem explicação que caiba na alma, segues
Fogo invencível que se derrama na terra
Pueris almas se vão no vento, entregues.

Poderosos homens sem armas em mão
são possuidores da escolha, libertar
porém rendendo-se ao dinheiro, perdição

Enterra seu mortos guerra moderna
cala o grito das crianças em nome de Deus
mantenha o mundo todo em alerta
E nisso a Terra perde os filhos seus.
Se muitas vezes me sinto tão ínfima perante circunstâncias com horrendas aparências, talvez seja por não ter parado e refletido sobre minha insignificância diante destes segredos...A inimaginável verdade sobre a origem dos mesmos.

28 de jan de 2009

A Idéia ( Augusto dos Anjos)

A idéia
De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!

Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica ...

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica

26 de jan de 2009

No trânsito caótico

Embora o trânsito seja movimentado, em ruas de mão dupla
sonoridade irritante, consigo me perder.
Talvez no meio da multidão, tantando achar qualquer caminho.

Tenho medo das batidas, as luzes são ofuscantes demais,
não é possível atravessar a rua.
Contemplo um sentimento implícito atrás do muro.

A desídia alastrada no poder superior é o que queima,
tonteia, e transporta-nos sempre ao perímetro interditado
Quisera eu? Pois ali sempre estava.

São poucas as respostas concretas quando sigo este préstito
Pareço alcoolizada e com uma arma na mão.
O medo chega pelos pés, sobe arrepiando, inebriando a alma
corrompendo-me eficaz.

Fecho as portas, comigo só vou eu, pertinaz na busca do feérico.
Meu eu confuso, indubitavelmente atravessado.
Para onde ir? Olho para os dois lados e para um buraco
Logo virá alguém com arma mais forte, abatendo o que restou.

23 de jan de 2009


Cada dia mas esporádica está em minha vida a hora da euforia explícita e confiança em pessoas reais.
Como Platão pregou, vejo uma janela desvinculada físico, ela está aberta para o mundo das idéias, e mais fechada para um credo qualquer.
Lá em minhas idéias ainda moram sensações transcendentes, mais aqui, suspiros... Não muito o que se explicar.

21 de jan de 2009

Memórias de ninguém

Por vezes tenho a impressão terna que meus sonhos ainda vagueiam.
Lembranças que não são vencidas pelo tempo, reavivadas com uma música, talvez só pelas notas musicas específicas, ou determinadas temperaturas, ou até pela intensidade da luz que leva pra alguma tarde, muita sinestesia e eufemismos.
Ninguém me rouba isso, são sonhos tão ingênuos, desenhos coloridos, mas nada que mude meu cotidiano.
Tive rotinas diferentes, alegres, tristes, mas já ouvi dizer que rotina é o conjunto das tarefas que a pessoa gosta de fazer e reúne em seus dias tornando-as repetidas, mas acho que não é bem assim, e sim, o conjunto das obrigações do indivíduo para chegar em algum lugar, onde ele imprime seus detalhes, como um cigarro fumado pela metade ao meio-dia...
Mas voltando àquele sonho, redundantemente, vagueiam e ainda me surpreendem de uma maneira suave, me traz a anacrônica visão, me faz nostalgica e boba.
Toda experiênica, por mais dolorosa que seja, ensina, marca nossas vidas, isso até mesmo nossas mães sempre dizem.
Saudades e certeza, certeza sim, que de nenhuma porta sairá uma imagem fiel àqueles instantes, mas os revivo sempre ao fechar os olhos, sentar na varanda, numa casa vazia, no cheiro do café.
Saudades, de tudo que parece ter sido sonho, ou foi?

20 de jan de 2009

Soneto feito em admiração à Du Bocage

A chuva me inspira a ter poemas
Quando ouço o barulho de gotas no chão
Inspiro-me a ter poemas, contradição
Como se as gotas caídas fossem letras.

O sol me espanta a poesia e a dança
O calor derrete os desejos de um jeito
Cuido não queimar a esperança
Junto os passos para a sombra, deito.

Lívido e pálido sabe pouco o meu amor
Não aprendeu a se adequar ao tempo
Adormeceu numa noite fria de temor

O frio que me fascina não faz mais...
Não conserta o brinquedo quebrado
Sinto mistérios de Machado, meus ais...

19 de jan de 2009


Que louco é nosso amor, mesmo sem querer lá está você!
De dias com chuva que me irrito fácil, ou dias quentes que me enervam a alma, você é o ponto de equilibrio da minha vida...
Não planejamos o futuro pois ele acontece agora, e sempre é um estupor, pois fomos feitos cada um para outro, mas teimosos que somos, nos refizemos e estamos juntos.

Senhores da palavra...

Todos eles devem ter nascido nos séculos XVIII ou XIX, que magia houve nestes longos séculos?
O que permitiu tamanha expansão de emoção, e tão aberta luta contra a mesmice?
Estas mentes que me atrapalham e enriquecem, que músicas ouviam?
Tantas doudas palavras, significados rebuscados que nos trazem até aqui.
Mesmo sem conseguir captar a magnitude de suas idéias, avançaram, se arrastaram, perpetuaram-se, estão hoje em mim.
Viva a literatura, aos românticos, pré-românticos e até mesmo aos árcades, pois mesmo não
indentificando um doce em seu estilo, me trouxe Bocage.

18 de jan de 2009

De alguma coisa que sei

Quase tudo que sei foi porque busquei uma história pra contar
Mesmo o que devaneio me arrisco a contar.
Interiorizo como verdade e perpetuo, confundindo azul e branco

Sei eu dinamizar minha mente para ultrapassar este busílis?
Conto causos ou cousas plausíveis?
Mais perguntas?

Vejo agora o ontem ofuscado entre ignorância e ingenuidade
vontade e apatia, julgo que nessa vicissitude continuo aprendendo
perdoando como peça única, meus maus pensamentos.

11 de jan de 2009

Ano novo poesias novas...

Criatividade renovada pelo descanso das férias...
Vamos aproveitar cada palavra!