21 de fev de 2013

Crônica de uma manhã inacabada

Um relógio biológico, antes inexistente, agora desperta antes do previsto e com as galinhas os meus sonhos também cantam, cedo, muito cedo.
O caminho é conhecido, a companhia previsível e desejada, o vento da manhã e mais um dia de trabalho, simples, sem expectativas cruéis. Mas convenhamos que algumas horas antes ainda vêm a influenciar no humor dessa jornada. Algumas lágrimas que foram derramadas, ouvindo o jovem que foi antes, "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã..." ainda insistem em aumentas a melancolia, que espera o consolo na atividade que de odiosa, por enquanto, só tem a angustia não estar nos trilhos certos.
Pessoas vivas eu encontro, sei que suas aventuras são novas, as euforias latentes queimam pelos olhos, e cansando das metáforas eu digo: não veem o outro, concentram suas energias em fortalecerem-se a si próprios, como se o mundo fosse seu espelho.
Deveriam ensinar Respeito na escola! Não subserviência, sim compaixão, entendimento do outro, o "dar importância" àquilo que tanto amamos lhes dar.
E são horas que parecem infinitas, de olhos que buscam aprender, de cérebros que sabem que precisam funcionar e de uma maioria que insiste em se boicotar.
Passamos adiante, levamos o conteúdo para outra sala. Outros olhos e outras necessidades, que chegam a umidificar o calor da decepção recolhida.
Mais a vida que existe aqui fora clama, e compramos o primeiro objeto da casa, umas gotas quentes cairão, e mais conotação...
O ônibus mexe com o equilíbrio e quase caímos, levo o corpo para outro lugar, o mesmo lugar onde começam as perguntas.
E se quero desistir? Penso que a última coisa cogitada tenha sido isso, a vontade sobressai ao ganho e o desejo é mais metafisico que racional. Mencionamos Hegel e Taine, e ainda não sabem o que é determinismo, nem o que significa sociedade, talvez a sociedade que os rodeia é virtual e nesse virtualidade não caiba o amor, ou sim.
Volto às teclas, que recebem pacientemente meus lamentos, e talvez reconheçam a força dã as minhas ânsias.
A manhã ainda vive sua última hora e tantas emoções já a preencheram, o sol tímido não apareceu, talvez esteja como eu, guardando sua luz, mas a minha ainda não encontrou um forma de expansão, e espero que a tarde tenha mais a oferecer, imergindo-me numa onda contrária ao pessimismo.

9 de fev de 2013

Não escreva mais um livro

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Saudade daquelas coisas que ainda não vi, porque a pureza daquilo que é amargo ainda respira dentro de mim. E se são palavras tortas, onde eu alcançaria a retidão das minhas ideias? O mundo mergulhado no caos e todos fingem não ver, fechamos os olhos ou usamos lentes transformadoras. Os dias são curtos, a hora é derradeira, e não é da morte. Sob telhados quebrados, corpos e almas enegrecidas se molham com a chuva fria implacável... Numa outra esquina, animais, pequenos seres, com vida e dor, molham-se sob a mesma chuva, ácida, não quimicamente, seletivamente ácida.
Não somos nada, e ainda que encontrássemos motivos para crer que somos, seríamos ainda menos por não perceber o egoísmo de tal pensamento. Não há rima, sem poesia e sorriso. A vida dos felizes são teatros engendrados em ignorância, não a violenta, a ignorância da verdade, que se mostra abertamente pelo mundo, mas que para muitos ainda é escondida sob os livros. 
Leia e seja inconformado, leia e descubra: ser feliz não é uma realidade, ser feliz é escolha efêmera.

4 de fev de 2013

A vida dos outros


O outro lado. Londrina, PR, 1955. Foto: Marcel Gautherot/Acervo IMS

Não me importo com a cor do seu cabelo
Nem me perco tentando entender enredos
Faça a mala e vá para onde quiser, livre...
Por que sempre associamos ao amor
Aquilo que normalmente é só palavra ?
Use a vida, eu uso as horas, lentas notas
Daquilo que eu odeio pouco é do diferente
Odeio o ser como tudo é e não aceitar 
Aceitar que a vida não tem poesia não 
Não tem poesia não, é fria, mas use-a
Como se fosse fácil pô-la sobre o fogo
Use-a com seu cabelo, sua sexualidade,
Suas dores, suas cores e desesperos...