14 de dez de 2009

Não me mato mais - Parte III


Capítulo III

Uma forte dor de cabeça, um velhinho sentado a sua frente, uma arma na sua mão. Onde estaria?
_ Olá! Chegou cedo meu amigo.
Meio tonto, sem entender o porquê daquele cenário verde musgo, uma sensação gelada lhe penetrava pelos poros, por um instante pensou que estava num pesadelo, até estava...
_ Desculpe-me, mas quem é o senhor?
_ Eu? Embora em nenhum momento da sua vida tenha me invocado sinceramente, meu interesse por você aumentou muito depois que você comprou esta arma com aquele drogadinho amigo seu.
_ Amigo? Eufemismo grandioso para quem só me dava um alívio semanal.
_ Onde estou?
Levantando lentamente, percebeu que aquele lugar não tinha teto, não tinha céu, não tinha chão. Um vazio verde, uma cadeira de madeira e um velhinho.
_ Você morreu meu filho.
_ Eu consegui então? Você é o quê, Deus?
_ Inteligente menino, isso mesmo, sou o todo poderoso, inigualável, super, super, Deus.
_ Mas que engraçado, achei que os suicidas não se encontrariam com o criador.
O ar sarcástico, conservado pela vida o acompanhava também através da morte, e logo com quem...
_ Você me lembra muito o René, um ar de “eu to sabendo”, “só acredito vendo”, “penso logo existo”... Mas ele, ele acreditava em mim, e você?
_ Eu só posso estar sonhando mesmo. Só me faltava essa, Deus e eu tendo uma discussão quase filosófica.
O silêncio reinou por uma eternidade, não existe fração temporal conhecida para descrever o quanto.
Quando a razão começava a voltar, a conversa partiu do mesmo ponto, como se não houvesse acontecido tal interrupção.
_ Filosofia meu filho? Estamos falando de pensamento, de questionamento, isso tudo é vida, e você abdicou da sua, sem filosofia nenhuma até onde eu sei.
_ Você não sabe tudo?
_ Sei, mas às vezes me finjo de desentendido, principalmente quando não quero ouvir alguns pedidinhos. Existem chorões demais, você até não chorou muito, mas interrompeu uns planinhos que eu tinha traçado pra você.
_ Planinhos? Acorda-me logo, me manda pro inferno, sei lá, mas ta foda esse papo.
_ Então, você vai chorar quando eu mostrar o que você perdeu.
_ Eu? Perdi o quê? Não acontecia nada na minha vida, algumas tragadinhas, uns goles, uma ou outra mulher...
Enquanto João negava para si que Deus estava ali, um sono doce lhe acometeu, caiu sem sentir sobre plumas, seus olhos se fecharam pesadamente.

10 de dez de 2009

Não me mato mais Parte I e II

Não me mato mais


Capítulo I

Por alguns segundos ele era uma homem.
Com a arma na mão sem muitos medos, com uma longa história cheia de vazio, um rosto largo, lindos olhos e alguns cabelos cor de cinza que transpareciam um pouco daquilo que fora marcas de sua existência, a grande parte dela, perdida numa depressão insolúvel, num rio de águas turvas.
A bala que saia feriria um corpo, uma alma muito mais, e dali alçara vôo, um humano que achava não poder mais sonhar, mas que ainda por longas corredeiras de lama se veria passar.
Agora, não muito além da realidade, isso não se detém a um conto espírita, nem apela para um panorama mórbido, onde uma visão ignóbil da vida tenha privilégio. Apenas uma droga de uma realidade surreal, paradoxismos de toda qualidade, das antíteses mais idiotas, aos oxímoros complexos de uma paralisia anacrônica. Difícil? Talvez.

Capítulo II

Por longos anos, viveu sozinho certo homem. Filho de pais amáveis, uma casa confortável, meio aos passarinhos, ares bucólicos de paisagens verdes. Não partilhou seu pão com nenhum irmão, teve todo o mimo necessário para desenvolver síndromes ainda não nominadas, mas sempre partilhadas, insuportáveis manias.
Como cresceu não lembrava, mas numa rua qualquer andava com seus passos lentos, com um terno apertado, um sapato velho e uma maleta quase sem peso.
A rotina o levava dia após dia para um escritório, uma tarefa insignificante o aguardava todas as manhãs; tinha um emprego, um salário, não tinha uma vida.
João, um simples proletário, um diploma guardado numa gaveta velha, sonhos perdidos nas madrugadas fugazes, sobre copos de líquidos variados, fortes líquidos variados. Amigos, poucos conhecidos, relações superficiais, uma inércia que mais parecia uma escolha, não muito nobre, mas para ele cabível para seus contextos.
Filho de uma sociedade individualista até pensara em altruísmo, mas apenas pensara, voltamos à questão da inércia.
Pois bem, depois de anos perdido em poucas perspectivas, sem um grande amor, sem uma chave de um bom carro, sem a companhia de um bom vinho, ele era o oposto do sucesso que alguém poderia almejar. Este alguém, ele mesmo, em algum lugar perdido na sua adolescência.
A saída foi egoísta, ainda tinha os pais vivos, ainda tinha ar nos pulmões, ainda tinha um pinto no meio das pernas. Nada foi capaz de fazer aquele projeto de homem ser realmente um ser ativo na face da terra, a única vez que teve coragem foi com uma arma na mão, arma comprada na mão de um de seus fornecedores de erva.
Apenas um desejo, aniquilar a sua raça!
Apertou o gatilho, o sangue desceu ao chão. Seu corpo caído, ali ficaria por alguns dias, mas não vale nem saber quem o recolheria.

Por: Cristiane Felipe

8 de dez de 2009

Uma virada teatral


Numa dessas vezes que eu andava por aí, pensava em quantos anos eu precisaria para ser feliz.
Achava que a idade chegando, me impediria de realizar certas coisas, que o tempo já era!
Mas alguns passos adiante e surpresa! Minha vida voltou a ter clareza, objetivos mais marcados e risadas mais espontâneas. Doei meu corpo para outras pessoas, ou seja, personagens se apoderam dele agora. Não vejo outra razão senão essa para continuar a acreditar que tudo é possível. Ainda olharei para trás lembrando de mais uma caminhada dessas, e relembrando o quanto é mais valioso um cérebro comprometido do que uma face rosada e inconsequente...

30 de nov de 2009


O mais estranho de hoje é não saber como cheguei aqui

Pois todos os passos incalculados levaram-me longe

Ainda sinto que chegarei a um estado que consigo sentir

Mas tudo é tão estranho, não só pra mim, se atravessar...

Numa mesma calçada, pensamentos do céu ao inferno

O lado bom das coisas despertando pra uma doce vida

O lado ruim das coisas concluindo que não há razões.

Não dá realmente pra saber o que fazer ou o que pensar

A vontade de chorar vem e vai, o sorriso vem e vai

Não só pra mim, eu sei que não só pra mim, mas e daí?

Por que eu sinto com tanta força que algo está diferente?

De onde viemos aonde iremos? Quem somos senão pó?

Por que sendo assim, uma mente insana ainda vagueia?

Porque sinto que ainda beijarei os beijos ainda não meus.

18 de nov de 2009

O sentido da palavra


Primeiramente, abstraindo o eu.

Sofrer, sentir, saber, sentimentos...

As palavras passivas por paixão

Quando se aprende a semântica

Todas as letras juntas confundem

Confundem o espírito que lê melhor

Corrige cada erro e absorve verdade

Introduzida na trama vivencial

A ironia é figura para instigar a fé

Fazê-la duvidar de si mesma, perdida.

O gavião que antes incitara o medo

Sob a afiada mão da linguagem

Hoje áptero vaga faminto, é como pó

As nênias que escuta, o angustiam mais

É hora de cair nos braços da morte!

Não é claro sob artifícios paradoxais

É vertiginoso entre as antíteses

Cada dia mais fervilhante na mente

Quando os pontos se unem, significados.

11 de nov de 2009

Até queria...


Com um sorriso no rosto começar o dia

não viver nessa paranóia dualista...

Saborear o doce aroma do café fresco

sentir na pele uma brisa pra resfriar

Falar de simplicidade sem parecer vã

Controlar a ansiedade e meditar

Escolher boas palavras para escrever

Sem ter medo de errar, apenas viver.




5 de nov de 2009

Diga-me a verdade


Existe esse amor? Ele perguntou.
Indignada com a pergunta retórica ela exclamou:
_ Não foram suficientes esses milhares de quilômetros percorridos para te provar?
Como uma onda de uma de suas músicas era aquele avassalador sentimento, não parecia apenas utopia e nem auto-afirmação do ego para ela.
O silêncio permaneceu por alguns intantes até romper uma palavra:
_ Fascinação!
Esse foi o grito desprendido que revelava um pouco de tudo o que eram aqueles vários sentimentos que cercavam a alma confusa da moça.
_ E a tal poesia? Onde está além de dentro dos seus olhos?
_ Num papel amassado que já fora lido e relido.
_ Mostre-me suas palavras escritas, quero ver se condizem com suas atitudes passionais.
Fria por ter contestada sua paixão, tirou do bolso o velho pedaço de folha e foi lendo em voz alta:
_ Num dia quente pedi a chuva para lavar a dor da sua velha ausência, permanente vazio que paira nos meus intervalos doentis...
_ Pare! Não entendo dos seus ais!
A dificuldade de entendimento ultrapassou os limites da sabedoria inerente àquela alma. Os idiomas se misturando não clarearam o diálogo.
_ Cale a boca e me beija!
_ Se o que eu sinto não for real acordarei deste sonho agora.
E sem mais nenhum suspiro as bocas se uniram; quentes línguas se misturando...
O relógio desperta e são sete horas da manhã.

4 de nov de 2009

A nova e cruel Amélia.


Estava ela toda displicente, o tempo a levava facilmente nos ares não tão limpos e respiráveis, já contavam muitos anos que se fora sua beleza.
Nas jovens marcas senis estavam cravadas as recordações de passagens confusas, amores revoltos e dias de solidão. Agora já nada mais a incomodava...
Como poderia reviver tais apelos, ali poderia apenas repousar suas insatisfações, nenhuma preocupação rebelaria seu intuito presente. Clichê assumido: Suicídio!
A lentidão dos ponteiros era agora novidade, já que sempre as horas passavam tão depressa carregando a vida para ignoradas esperas, longas esperas, atuais esperas. Não se resolveram seus dilemas, a casca continuou dura, as lágrimas não caiam como antes.
Num dia assim nem o mais terno dos silêncios removeriam suas constantes ideias alienatórias, assim como na fala de Amélia, " A nódoa que uma vez a polui é eterna; nem todas as lágrimas, nem todo o sangue a podem lavar", então o melhor remédio é o descanso da mente.
Ela não acreditava em Deus, lera as palavras ditas serem ditas por ele, não as convenceram, então agora o inferno seria apenas uma doce ironia. Os meios aqui não revelados, mas um corpo que antes fora vital e desejado, agora dorme numa eterna insensibilidade, brevemente corroído pela terra; terra dela, minha, e dessa incompreensível sociedade.


Cristiane Felipe.


Inspirado na peça de Pinheiro Guimarães(1832-1877), A História de uma moça rica.

31 de out de 2009


Gostaria de postar aqui, hoje, minha satisfação por ter ganhado ontem, na Uniderp, o concurso de Contos realizado pelo Curso de Letras. O prêmio foi atribuído ao melhor conto no estilo Suspense. E se houver o interesse de alguém em lê-lo é só mandar o e-mail que eu envio. O nome do meu conto é Rio do silêncio.


Estou bem feliz!

30 de out de 2009

Todas as noites


Sinta o céu te cobrindo

Com jóias e pedras preciosas

Veja o caminho que a lua cortou

Pra você percorrê-lo...

Entre o espaço de um beijo

Respire, deseje mais

Não deixe a branca nuvem

tampar toda a luz dos seus olhos

Sinta o céu te cobrindo

Conte as estrelas no horizonte

Veja-as caindo cintilantes

Não perca a noite sagrada

Inebrie-se com o cheiro da madrugada!

29 de out de 2009

Numa viagem à feira Vicentina.


Entrei em um trem que passava vendendo indulgências

Comprei um passaporte falsificado para entrar no céu...

Meus ideais foram mudando em cada parada, via sinais

Como se cada pessoa comparasse seu sentimento ao fel.

Entre todas as pessoas que embarcavam no trem, filas

Filas de pensadores pagãos, feministas, revolucionárias

Capas de livros velhos voavam numa cortina de papel

Quem queria a liberdade? Quem entendia tantos sinais?

Muitas histórias iam sendo contadas, e Roma caía...dias.

O Diabo velho era o jovem anfitrião, atrás da capa azul

Fingindo mudar as leis, vendia os novos desejos, fantasias

Aniquilavam-se nos trilhos um a um os velhos eus, adeus!

23 de out de 2009

Come back


Se a viajar num sonho bom conquistar seu coração
Com as palavras todas ditas de forma confusa
Minhas pernas desmontando-se sobre o chão
O amor enlouquecendo duas almas coloridas
Sem chance de alguém impedir o momento
A intensidade do toque seria transcendental e ...
Sem detalhes a mais já que só apenas nos sonhos
Nada a mais, não são todas as noites que ganho
O presente divido de ter na minha boca quente
A saliva sagrada que sinto quando viajo insana
Entregue inteira sem capas e com luzes, e já
Acho que vou dormir pra ver se sonho, agora.

6 de out de 2009

Não teria dito

Não devia ter dito em nenhum momento que era quente,
Sob uma lua que aparece e brilha, refletindo o sol.
Poderia ter calado, sem pressa reservado um tempo, só.
As ruas que receberam o peso dos passos, passaram...

Jamais deveria ter contado para ti com minhas lágrimas,
Poderia ter guardado num frasco a dor que não comovia.
Palavras soltas ferem, pois vem de algum lugar existente
As marcas irremediáveis do remorso pintam quadros
Tristes imagens surreais criadas num eufemismo qualquer

São todos os desejos barrados nas secas passagens vocais
Sem música, apenas uma mente lancinante como essa dor
Preferia o frio que fazia na solidão confusa dos medos
Porque essa dor consciente e fina, marca aos poucos, mata.

21 de set de 2009

Notas fúnebres

Num dia qualquer que acabaria em chuva
Dançava o tempo e brincava o destino
Soava o badalar duma hora triste e surreal
As lágrimas afogariam várias almas,
e noites vazias percorreriam anos afora...
Não há data para dissipação desse erro.

12 de set de 2009

Teatro da vida


Depois de liberar a loucura presa em cofres

Suar o líquido das impurezas da sôfrega luz

Caminhar solta e revelar o lado reprimido

Um vento encosta levemente na pele quente

As mãos dormentes são sentidas, percebidas

Cada movimento dá lugar a uma descoberta

Uma força maior e impulsionante ri em nós

Pequena fração de tempo e ser quem não é

Não remonto o passado, crio novas vertentes

Sou pássaro saindo do ninho dos preconceitos

Sou fera se agarrando num deleite de carne

Um mutação instigante, um brilho nos olhos.

2 de set de 2009

Notas rápidas

Todo curso que desague em palavras é longo
No período que se concentra o percurso, pensamentos
Não sabemos se é certo confirmar isso hoje, mas temo
De tempos em tempos caio em contradições...

9 de ago de 2009

Pra onde vai este caminho?


Sartre me trouxe algum alento num domingo seco

Mergulhada em aparentes ruas sem saída, vejo

Não é só meu peito que bate na partida deprimente

Pré existimos a todas as consequências marginalizadas

Frutos dum mistério contundente para alguns, ridículo.

As chances de se concluir algo vai além da estrada

Solidão é parte de pensamentos inconfidensiáveis

Linhas e pleonasmos não confortarão tal mente

Poderia dizer alma? Cinquenta porcento de chance...

Já que nada é certo, além daquilo que vemos agora

Puro existencialismo, ideias confundindo-se com ideais

Meros apelos ouvidos por vozes de quem se destacou

A multidão é seletiva, a sorte é seletiva, o que é sorte?

A chave mestra dos segredos imutáveis, da dor parceira

Amanhã poderá ser tarde para ele, ou para mim, o que fiz?

Existi? Fiz valer todos os meus sonhos e os dividi?

A resposta é clara e não poética, não fiz nada.

Se pudesse dizer o que gostaria de fazer, faria uma lista

Na lista dos desejos, não desejar, apenas existir, respirar.



5 de ago de 2009

Apenas pó

Dakota Lapse.com
Não me diga o que fazer, em que acreditar
seus espíritos abrem suas portas, não minhas
desejo o bem também, não preciso enlouquecer
Acreditar em almas recicláveis não me salva
não há marcas no corpo que corrompa o que sou
O destino é solto no vento, pegamos o que é nosso
Se existe algo maior que nossa imaginação, sim
Mas se fôssemos dignos de compreender...
As minhas ideias ficaram ontem na geladeira
meus sentimentos levantaram dopados
Mas de uma coisa eu sei, só através de uma letra
duas e mais palavras é que vem o desabafo.
Pois o seu tempo perdido em teorias românticas
não me absorve, sou mais consciente da matéria
aquilo que corrói é inevitáv
el, somos pó, puro pó.

23 de jul de 2009

O lado certo das coisas

Deixei os sapatos do lado de fora
A tentativa era não trazer o sol
Tento esconder-me da luz feliz
Minha segurança é não ter fé
Todas a imaturidade se mostra
Nas defensivas falas de ser assim
Não boa, não má, não normal...
Querendo manter um foco, indo
Sem direção certa, infinito mudo.
Não existem explicações reais
Pra todas as questões mais cruciais
Deixo o lado mais pessimista nu
Frases incompletas revelam-me
Insegurança companheira, fútil
A falta da palavra ideal, reticências.
Deixo meu lado bom junto lá fora
Trago as pessoas arrastadas comigo
Não tendo resolução imediata, sigo
Mantendo aqui dentro e comigo
Um futuro romantizado, às vezes
Buscando cor, puxando pro cinza.

17 de jul de 2009

Tudo adiado

Adiei minha mudança de atitude, minhas faxinas conceituais.
Preferi continuar uma cabeça dura, não vou mudar!
Tudo que tenho hoje são pensamentos que me aliviam,
Tudo que tenho hoje são sonhos secretos, absurdos.
Quero esperar o próximo inverno pra ver o que dá
mas é claro não posso contar que chegarei até lá
Preciso sim da mudança, mas hoje sinceramente não será
Esqueci até de tentar poetizar essas frases esdrúxulas
Mas indubitavelmente vou ter que adiar !

7 de jul de 2009

De repente


Não sei se quente ou frio, apenas não morno
O peso no corpo, no passar fugaz dos anos
Meu fogo, o cheiro e o esforço, penso planos
Quietos todos os remorsos, as dores contorno

Mesmo que lentamente, mudanças no forno
As maçãs apodrecem na geladeira, enganos
A fome de acelerar a própria reforma, sonhos
Sem rima certa nem hora marcada, retorno.

Fica mais um soneto inacabado e sem adorno
Mesmo que num filme mudo eu fale, é jogo,
Para entender não, somente contar e pronto.

26 de jun de 2009

Tenho mais medos

Sinto em mim um movimento lento
luzes se apagam e se acendem, tristes
meus lamentos são solitários, contínuos...
Nem minha voz meus ouvidos aguentam

Tentando escapar dessas "autotorturas"
mergulho num vasto mar de emoções
pérolas valiosas soltam-se de meu tesouro
Aqui ensino como me olhar, não me olho.

São tantas nuvens pela manhã pela janela
as grades protegem as almas ingênuas
não se salvam todas as memórias, fluem
conquisto mais tempo ao lado da família

Sou alvo fácil da alienação de meus anseios
as novas asas pintadas em minha pele
as novas asas são imperfeitas, mas minhas
Silenciosamente interiorizo meus medos.

21 de jun de 2009

Onde o desejo tem nome


Queria que as linhas que atravessassem nosso tempo, deixassem marcas no meu e em seu rosto.

Onde a música tocasse alta eu pudesse ouvir apenas sua voz e nada impedisse nosso abraço.

Os cabelos desarrumados, os fatos e as roupas, cenários pessoais de amor e loucura que perseguidos achados, vividos louvados.

Queria compartilhar do seu tempo, do seu porre, te deixar na cama, onde você pudesse dormir sobre meu peito sem me deixar piscar os olhos.

Ver o azul radiante de seus olhos eternamente, banhando os pés nas águas do mar, do rio, da chuva...

Sonhar os seus sonhos e acordar dentro de um deles, seria meu vício, contar e amar os minutos, admirar seu jeito.

Não sei por que quero, apenas quero, são chamas presunçosas que me queimam nesse desespero.

Apenas uma noite, uma hora não sei, algo liga sua boca aos meus sentidos me fazendo voar, e nem tudo é poeira.

Amo querer, não descanso minhas pernas, elas correm através das nuvens, no trailer desse filme insano.

16 de jun de 2009

Flores


O que somos além de flores num jardim de enunciados?

Nosso retrato se iguala ao de um ser observado numa jaula

Os pés se agregam ao chão como raízes impostas

Somos vistos de uma janela como fantoches hostis

Nosso spleen flui numa cadeia insinuante de versos

Por trás de rimas nem sempre há poesia, nem música

Na nossa face um azul que muda de tom, transformação

Quando os joelhos se reduzem à humilhação por nada

Concluímos frases contextuais, tentando persuadir

Afinal quem somos numa terra de pleonasmos voadores?

Somos apenas flores de um jardim misterioso, morremos.

12 de jun de 2009

Um pensamento vazio


Virar a página do desejo, ser contestação
Soprar a chama dos apegos, só água fria,
Com um copo de líquido negro, paciência
Esperando as horas calmas com degustação.

Se o medo virou companhia no coração
Esqueço de desligar a luz, casa sombria
Os venenos estão erguidos, certa calmaria
Permaneço no rebuscado verso solidão.

São tetos de teias de aranha, pó no chão
Tudo que olho contrasta com esse dia
Escondo então de mim tudo que é vão.

Essa sucessão de imagens são consolação
Pois numa noite de pesadelos dor eu via
Talvez não a minha, mas fiz comparação.





10 de jun de 2009

Desabafo real

Nos últimos tempos esse blog se tornou um meio de fuga para mim. Venho aqui, coloco minhas ideias e sentimentos e acabo me exorcizando de algumas dores.
Hoje não será diferente, pois há muito, tenho vivido em minha família uma luta grande contra a doença de meu irmão, agora parece que tudo voltou com força!
Já prometi acreditar em Deus, já tentei rezar, mas meu coração não sentiu-se confortável mesmo assim. Parece cepticismo, ou é, mas acontece que a dor não nos deixa muito centrados...
Quando fui dormir na noite passada, algo me incomodou muito, um aperto inexplicável, pela manhã ele teve explicação: Mais uma metástase!
Mas por quê? Me pergunto seriamente. Já que tantas pessoas com rancor e maldade se esbaldam em seus mundos "saudáveis" e têm livre passagem para usufruir da vida, muitas vezes fazendo o inferno na vida alheia e mesmo assim não ganham tal punição. Um jovem tão puro, tantos sonhos, passa por uma provação dessas, levando consigo uma família toda, que se descabela por vê-lo em tal situação.
Mas bem, não sou eu quem terá as respostas, já que quando se trata de vida, estamos todos próximos da morte.
Gostaria de terminar este desabafo com alguma mensagem positiva, não é meu forte, mas tentarei manifestar aqui e nos dias que se seguirão, uma fé que está ligada ao bem que existe no universo, pois nem todo o mal do mundo suplanta a vontade daqueles que se prontificam a ajudar.
Obrigada a cada dia por mais um dia, que eu possa estar passando novamente aqui com esse assunto, mas com belas notícias.

8 de jun de 2009

A alma "lavada"


Um dia a chuva lavou o brilho encantado dos sonhos;
Só fico esperando uma cena emocionante nos filmes
dentro dessa expectativa se engendram ilusões.

Os dias frios me dão mais prazer, se igualam a mim
pessoas com emoções congeladas só respiram assim,
em máscaras de sofrimento alheio, até os irreais.

Não comprei uma roupa nova, o sapato também é velho
continuo mudando de face, não a marca do cigarro
a fumaça continua a fazer parte dos cenários concretos.

Afinal o que era o brilho encantado dos meus sonhos?
A estrelas que observei fazendo planos deitada no chão,
músicas escritas sem refrão e um copo de vinho,
um amor platônico e mil dias de perdão?


31 de mai de 2009

Misturando temas

(Gustave Doré Envious Penitents)

Um dedo que é apontado em direção a sua face, afronta o comportamento cívico e remexe o lustre brilhante das ideologias consagradas.Não que seja uma humilhação permanente, no instante serve como estímulo, já por trás desse gesto existem milhares de interpretações, árvores que descem em significados por suas raízes...Como tema a inveja, lida numa revista, ela é bilateral, não há quem se livre dela, mas só aqueles que não lidam bem com seus brios se compadece e abaixa os olhos quando o dedo vem.
A arma utilizada pelos fracos é o grito, que quase sempre é prova de sua culpa, dos seus medos e insegurança perante um desafio.
Penso que seja mais comum do que imaginara, a inveja permeia relações de todos os tipos, ela mesma se manifesta em diversos níveis, um deles até considerado positivo, mas que vão de pólos distantes, impulsionando muitas vezes ao desejo da morte alheia, ou a atitude para que se alcance esse intuito.
Mas de moderada à descabida, a inveja mata, esse gesto que o dedo leva à cara mata, a alienação mata, e no fim todos nós morremos.

22 de mai de 2009

Desafios do contentamento


Quando você quer mais do que precisa
com consciência ou não no perdão da vida,
que é justa,imperceptivelmente honesta
a água pode ficar turva, o abstrato, concreto.

Não que se abster dos bens efêmeros salve,
economiza o seu espírito te mantém no chão.
Não que voar seja proibido, não jamais;
permitido é voar com suas asas, tudo pago!

Quando se tem mais do que precisa
mais se quer e se deixa e se leva...
consumindo com tudo que está perto
padecem amigos, anulam-se talentos.

Se o objetivo é a vitória, lute, consiga;
afinal, se menos é mais, como vencer o placar?
mas quando superado, qual seu próximo passo?
um passo cego em direção a mais, quanto mais?

18 de mai de 2009

Como mostrar meus amores


Eu não sei mostrar o meu amor
um sorriso apagado não declara
aprisionado no canto da boca,
não revela alguma face da alma.


Não sei mostrar mas amo, e tanto.
Enganos, certezas, me faltam verbos,
a expressão se contrai no coração;
O abraço escasso é desejado e raro.


O brilho do olhar quando aceso queima,
transborda-se em lágrimas sentidas.
Toda afronta que necessita fé, afugenta;
divido meus desejos e me doo inteira,
confusa nos detalhes me retraio.


Sou flores e perfumes, medo e afeição
preciso fazer uma tela desse amor...
O fraternal, o carnal, animal.
Todos eles são em mim um chão,
porém das portas do templo saem lentos,
os adendos que exprimem meu perdão.


Sou céu e borracha, emudeço meus elogios
sinto até doer , e como dói esse amar.
Sofro nas tentativas de mostrar que valem,
encoberto de mantos cinzas, meu pão.

O alimento que ofereço é minha vida
se eu te amo hoje e aqui eu tento,
alcançar-te nos sentires não nos falares.


17 de mai de 2009

Autorretrato

Dentre os adjetivos atribuídos a minha insigne pessoa, salvo eu os mais humildes e nobres por assim dizer... Amante dedicada e sonhadora permanente.Nos pejorativos, calo-me e, anseio o perdão daqueles que merecem minhas horas.

13 de mai de 2009

Uma leitura cega

Deslocada, posta num ambiente e sentindo-me fora dele;
nas calçadas cheias não ando pela gente, fugindo de tudo,
abaladas perspectivas, não por influências externas
há um alienamento interior de tudo o que é futuro.

Quando procuro, imediatamente me interrompo
um sofrimento lento, desmotivado e não aparente.
Uma leitura cega desse mundo novo, inapetência;
grandes homens permaneceram por insistência
mas meu eu mais obscuro pede a demissão...

Primeiro a euforia, após o silêncio que corrói
meus primeiros erros foram decisivos e vis
frases vão se encurtando cada vez mais, decepção.
Quais seriam as glórias de uma alma mais eficaz?
Prendi meus dedos nas portas do castelo medieval

Nada é novo e mesmo agora aqui tentando, paro
sou redundante semanticamente, lexicalmente...
Enfim, uma barreira pessoal imposta sem data
Um calabouço aberto, mas acho não ter a chave.

4 de mai de 2009

Sobre a iluminação (ou escuridão)


Guiados pelos ídolos escolhidos aleatoriamente,
por inclinação natural ou queda tendenciosa
na natureza selvagem que se tornou a humanidade
que já não existem virtuosidades, ou não houveram...
Quem pode ser a verdade absoluta, ou o quê?
Nem cabe aos mortais desprovidos de lógica procurar,
muitas vezes se perdendo em paradigmas obsoletos
os pobres mortais são conduzidos apenas à morte.
Falta de fé não é o problema, alias o excesso é que fere
Não praticaram aquilo que pregavam nem viveram.
Partilhando uma filosofia maniqueísta atordoadora,
matando a luz personificada nas diferenças, desconciliaram.
O cepticismo visto como maléfico curou muitos males reais
nem sempre disseminou a união, mas imparcialidade pondera.
Quem são os profetas?
Ah... Eles são loucos por acreditarem num livro velho.
Mas a história só vem confirmando que nada se sabe,
nada se cria a partir de convicções ilusórias.
Ainda não posso me definir abstraída de Deuses,
mas sei que nenhuma regra escrita em manuscritos alterados,
vão alterar minhas convicções, meu desejo de sermos reais.
Apenas respirar o universo, agradecer sua existência,
permear a positividade mas não a prisão a "leis" ditas sagradas,
onde nada mais existe além de mentes humanas gananciosas.

29 de abr de 2009

Admiração à "loucura" dos poetas


Chorosos versos meus desentoados


Chorosos versos meus desentoados ,
Sem arte, sem beleza, e sem brandura,
Urdidos pela mão da Desventura,
Pela baça tristeza envenenados;

Vede a luz, não busqueis, desesperados,
No mudo esquecimento a sepultura;
Se os ditosos vos lerem sem ternura,
Ler-vos-ão com ternura os desgraçados.

Não vos inspire, ó versos, cobardia
Da sátira mordaz o furor louco,
Da maldizentre voz a tirania.
Desculpa tendes, se valeis tão pouco;
Que não pode cantar com melodia
Um peito, de gemer cansado e rouco.


(Manuel du Bocage)


Lendo esta obra prima de Bocage, fitei-me nos últimos escritos meus, que muito refletem a respeito de produção, criatividade e frustrãção. Infelizmente nem todos são presenteados com a destreza que Bocage tinha para desenrolar versos tão eficazes, porém a inspiração anda nesse passo, uma abstração e uma dor podem ser matéria pura de poesia. E viva Bocage!

26 de abr de 2009

Não tente me entender, não hoje

Onde? Na rua?
Seria impossível encontrar-te na lua? Num voo sob o arco-iris, numa estrela?
Naquele copo vazio, com gotas ínfimas de liberdade mora a insanidade?
Já perguntei se seria simples como contar para alguém, mas não é.
Ninguém me responderia onde posso encontrar?
Uma vez por semana tenho que fazer a prece, olhar pro domingo e ver de novo.
Aquele mesmo ritual de cores acinzentadas, melhores ou piores momentos?
Não queira me entender agora, nem ontem muito menos amanhã!
Não sei onde estou vivendo e queria achá-lo, sombra negra.
Nenhum símbolo e onda brava do mar, nem conheço a brisa
Somos poeira, você é pedaço de estrela.

22 de abr de 2009

A mais bela canção (fragmentos de uma obra em fase de produção)

A primeira coisa que penso antes de dormir é a primeira porta que abrirei para entrar no mundo surreal dos sonhos, idealizados com presença de alma e onde quem manda é o coração.
Esta porta é branca, quando a abro uma luz clara e calmante me invade, te vejo sentado numa poltrona branca, rodeado da luz que sua própria essência emana. Abro a porta, a alma inebriada... Em suas mãos está ele, dono de seus lindos olhos azuis,um violão, gritando uma melodia inexistente que seria capaz de chamar os anjos. Caminho em sua direção com um papel em mãos, neste papel que acabo de olhar, estão versos simétricos, reconheço minha letra, dou um sorriso e já começo a entender esta alucinação. Você ao perceber minha presença, fecha os olhos e interrompe sua canção como se já soubesse o que faríamos ali. Sento-me aos seus pés, encosto minha cabeça em suas pernas, tenho o corpo quente e a mente fervilhante, entre os pensamentos reais e aqueles que me consomem toda imaginação, não quero mais nada do que tenho neste momento.
Entrego-te o papel que já está um pouco amassado, sua pele toca suavemente a minha mão, é veludo puro, já escondendo marcas que o tempo supostamente imprimiriam-lhe ali. Você o papel e fecha os olhos, as notas do violão retornam e sem tempo de associar letra e música, acontece um som extasiante e de sua boca as palavras que eu havia escrito começam a se transformar em tudo o que eu imaginara...
Em alguma parte da leitura você pára, ri e me pergunta:O que diz esta parte? A tradução ainda imperfeita me traz para realidade, mas isso ainda é sonho e facilmente pode ser superado, com um sorriso quase comovente, você risca o papel e diz já entender o que eu queria dizer, pois nossas mentes caminham juntas. Inexplicavelmente duas vidas são uma, e delas nasce a mais perfeita canção já feita no mundo, mas ainda num mundo infinitamente maior que o meu e o seu, o mundo dos sonhos, matéria pura de poesia, razão da minha existência, tudo ainda espera.

20 de abr de 2009

Mantendo o ritmo


Só quero passar vários dias assim
com projetos ambiciosos em despretenciosas intenções
nada de riquezas exorbitantes, não...
quero o simples entardecer que não é tão simples assim
ao lado das minhas vidas nada é simples
quero continuar com a sensação que amanhã tudo será
aquilo que me impulsiona é a esperança, acho que vi.
De todas as ideias mirabolantes a vencedora é a da vez
então que venham amanhãs, continuarei inventando
e que o ritmo dessa emoção seja a marca na areia
que se vá com água, mas em direção a imensidão do oceano.

16 de abr de 2009

Procurando meus sentidos


Já faz um tempo que não me vêm ideias novas

tento trabalhar as velhas para não enferrujar

já que o tempo corre tão depressa e eu quero ir

chegar em alguma lugar seguro para meus temas


Quero desbravar a realidade, recorrendo ao sonho

tornar mais colorida as páginas que me permeiam

soprar os alienados ventos do romantismo

aprender com erros alheios, os consertando


Sou novel no campo impermeável das boas trovas

capítulos lidos pela metade já completam meus nãos

sofro na busca inanimada das rimas que fecham coblas

contemporanizo os sons que parecem eloquentes


Vão todas as edições de meus amores pro papel

mesmo os que têm lacradas suas aparências

e são eles que me erguem, sustentam e derrubam

Busco na vicissitude das semanas, a beleza.


13 de abr de 2009

À bela Mariana

Bela promessa de mulher era ela, infortuno destino
no meio de dois irmãos, ostentava imagem de beleza
mas ganância e egoísmo levariam-na ao desespero.
Uma clausura seria seu destino, ainda inconsciente
Sua pueril idade não foi impedimento para sua anulação
Vieram os anos atrás de grades hipócritas ditas divinas
foi crescendo à beira de livros que só a alimentariam...
Sua prisão seria eterna, mal soubera ela
Através dos medos chorava com sua mãe, a falta do mundo,
a solidão era rodeada de luxo e mentiras, mulheres vazias.
Não fora a mocinha salva, beirava tragédias Shekspearianas
Nas mesmas grades do sofrimento viria o olhar de amor
esses olhas a tirariam de sua cúpula sangrando, vida
Breve vida feliz, entre noites de luxúria e vinhos
Seu soldado a iludiria, lhe envolveria num mar de ilusões
Pobre menina, uma vítima dos mais nobres sentimentos
Trancada para sempre, pensara na morte como auxílio
desencorajou-se em esperanças desencartadas
sofrera descomunalmente, padecera em suas cartas
Uma a uma enviadas pelo amado irmão, destino: Posteridade
Da veracidade da história ainda surgem divergências
mas há uma certeza, o homem pode ser monstruoso
a vida pode ser bela, mas o destino é sempre incerto.

11 de abr de 2009

Eu não procuraria entrar em tal floresta escura se não fosse a total solidão
não arriscaria perder, se eu tivesse...
Mas não tenho, isso é fato, não me lembre disso!
Só me arrisco nesta ilusão pois me conforta e me faz sentir viva
Levando um pouco dessa minha má intuição, vai junto uma emoção...
Tão grande, eu caio no desconhecido e agarro minha vida no verde dos seus olhos.

9 de abr de 2009

Sem nexo

Hoje, antes de dormir, passando essa madrugada de insônia
quero registrar meus lampejos do dia...
Uma ideia fixa, muita informação, trabalhos mal feitos e paixão
Nascimentos e esperanças unidas com um só significado: mudança
Uma mudança que busco desde que comecei a pensar em vida
Preciso da força poética de meus ídolos, que Bocage satirize minha busca,
que Shekspeare embeleze a inconstância e que Anjos me de palavras de amor...
Vou deitar o corpo alerta, para que este busque no descanso força pra cabeça
mais razões e significados e um dia mais repleto de flores escritas.

4 de abr de 2009

Cinzas perpétuas


Queimem todas as minhas palavras
aquelas que não signifiquem nada
mesmo assim garanto serão eternizadas
pelo vento, poeira que leva ao infinito

Mesmo se hoje elas não valham inspiração
nenhum suspiro negativo calará meu amor
os versos do meu âmago atravessaram o mar
chegarão aos olhos de alguém de outra geração

Nenhum soneto antigo, nem um poema moderno
A contradição dos teus pensamentos eu sei bem
não há necessidade de me atirar pela janela hoje.
Talvez não atirarei pedras amanhã, só brilho...

No universo vagarão minhas letras preenchidas
nas cinzas da ira alheia, jamais serei vil
Os rastros se espalharão, e minha noite em claro
será válida para uma alma moderna, nem tão severa!



Uma tarde inventada


Eu gostaria de desvendar da pétala mais vermelha, o sentido da rosa
cultuar a imensidão do universo reportando à minha própria insignificância
fazer versos simples e curtos, pesados somente de palavras contundentes
gostaria de ter o perfume imaginado, espalhado no lençol dos meus desejos.

Eu gostaria de não me repetir nos sôfregos momentos de inaptidão
sentar sob uma grande árvore com lápis e papel em mãos, suavemente...
Partilhados conosco o céu e o sol, num dia qualquer de primavera quente
com um horizonte revelado nosso, numa corrente de pensamentos

Eu gostaria de criar a mais bela música já ouvida, eu a letra, você a melodia
a melodia da rosa mais linda, aquela que nunca foi vista, apenas descrita
saborear dos prazeres carnais, tendo os batimentos acelerados e mistérios
acreditar que não é impossível chegar tão longe, mesmo no próprio quintal

Queria fazer o "enjambement" dos versos, com o mel mais doce do planeta
e adoçar seu sorriso real, de maneira a sorrir junto com sua boca, sua alma
e conhecer o que não é limitado, fazer uma lista de desejos íntimos semelhantes
fazer da vida uma linda história inacreditável, vivê-la e registrá-la, sob a sombra...


2 de abr de 2009

Given to Fly

Christine Comyn


Com os braços abertos sei que sou capaz de voar

todo som que se manifestar ao meu redor, música!

pois quando minha alma alçancar esse voo ...

jamais voltarei à esta terra sem encantamento.

1 de abr de 2009

O mesmo sonho sempre

Meu sonho tem cor, forma e beleza
brinca comigo quando me prende a noite inteira
Este sonho tem cheiro, voz e paciência
deixa-me extasiada, vai embora e ...
Meu sonho tem ontem, hoje e muita luz
na minha mente crio artifícios que apasiguam
Mas meu sonho tem face, coragem e liberdade
embora seja delicioso viajar nessa utopia
as portas só darão para mais um dia, aqui.
Pois este sonho com forma, doce e cheiro...
Não deixa de ser sonho, feito na cabeça!

29 de mar de 2009

Do anacronismo à loucura


Certa vez senti minha alma com 80 anos como se tivesse vivido tudo
sensação que estava perdida em fatos que aconteceram que não vi
tentativa de entendê-los me perdi e dormi
várias luas no céu, um avião caindo ou estrelas em mim
Como em outra ocasião, tive o olhar repetido de uma cena nova
que mostrava o sol...
Um sonho qualquer em que entrei sem adormecer
sem perceber acordara.

Não há explicações para textos sem ínicio meio e fim, como aqui
Explicar sinônimos, contar os fenômenos, desligar a luz
que não foi apagada, na madrugada...
Um silêncio que só faz ouvir as músicas erradas

São vultos de pessoas desconhecidas que atacam a mente
que se debilita no tempo, parecendo inconsciente
Poderes indomináveis como água, ebulição permanente
A porta do sonho foi aberta, uma vez nele, não se pode voltar
fica a dúvida:Quando foi e onde foi que eu errei?


Pra perceber se isso aconteceu preciso recuperar a lucidez escondida...
Dentro de um livro ou numa banheira de água fria.
Abstrata é a palavra que define, então não a escreveirei
rabiscarei num papel do futuro ou papel do passado...
Algo que ainda virará filme.

27 de mar de 2009

About the future


Não fingirei mais ...

Não falarei sobre assuntos que desconheço ou que não me apetecem.

Sim, falarei sobre o que sinto independente dos julgamentos

Sim, abrirei um sorriso, quando estes julgamentos construírem estruturas.

Beijarei a face dos que me amam e não rasgarei as cartas dos que me odeiam

Repetirei versos que me apasiguam a alma, serei sim redundante quando quiser...

Pois sou inconstante em alguns aspectos, troco o dia pela noite e vice versa.

Penso que construo algo bom amando, e ouvindo, talvez até pensando

Lerei os livros bons e os ruins também, até aprender a distingui-los

Continuarei sem entender coisas do universo mas divagarei sobre estas

Ouvirei meu Eddie Vedder, inspirar-me-ei com sua voz e letra e melodia...

Amarei os meus e tentarei mudar o mundo, com as armas que tenho:

Idealismo, esperança e carinho.

24 de mar de 2009

Reflexos da amizade





Somos reflexo do meio em que vivemos
meu meio é alegre, conveniente e quente
temos menos medo agora, ideia latente
ouvimos, dividimos aquilo que comemos

As palavras certas que nunca escolhemos
não precisam ser ditas, felizes somos, gente
os planos parecidos são diferentes, tente
que tudo que há de vir será bom, oremos

Oremos aos deuses diferentes que cremos
participarão de nosso idealismo, solenemente
poucos partilham do amor que é direfente

Dignas ofertas de sentimento phileo temos
reflexos de nossa sociedade fechada, lente
que enxerga através da complicação só sente.



23 de mar de 2009

Poesias instantâneas III

Olhava para dentro e não me achava
perdida num sonho, com seres ínclitos
sabendo pouco da verdade, lamentava.
Todos meus pretéritos imperfeitos "usara"

20 de mar de 2009

Algo diferente de poesia


Hoje não farei das minhas palavras nenhum poema.

Quero falar sobre um filme que me tocou a alma e fez pensar sobre a essência da vida, as virtudes que devem ser exaltadas e as pessoas como merecem ser tratadas.Por acaso peguei na globo ontem a noite um clássico que jamais assistira, "Melhor é impossível", que merecidamente Jack Nicholson e Helen Hunt ganharam oscar de melhor ator e atriz consecutivamente.
A simplicidade com que os temas são tratados e a realidade me fizeram pensar do ínicio ao fim, e várias lágrimas se derramaram.
Como um homem grosseiro e sarcástico, uma mulher sem vida pessoal amargando com um filho doente e um artista detonado, puderam construir uma história de amizade e respeito que fazem esse drama tornar-se épico, com elementos vivos do gênero: Um herói (Melvin), uma vítima (Carol) e um mal grandioso, a vida. Uma trajetória (lealdade, coragem e honra)
Mas esse mal que pode parecer a vida, pode facilmente ser transposto, um gesto de generosidade muda tudo!
Cada diálogo do texto envolvia uma emoção estridente, com elementos tácitos e claros, embora muitas vezes precisassemos ler nas entrelinhas.
Ajuda mútua e sinceridade, sinceridade que pode ferir mas que salva!
Filme inesquecível, do qual adquiri mais algumas lições pra minha vida.
" Estar na escada da sua casa, na sarjeta, é melhor do que estar em qualquer outro lugar que eu possa criar ou imaginar..."
As pessoas na sua simplicidade têm muito a oferecer, então entregue-se.

19 de mar de 2009

Apenas um grande bloco de frustração


Aquilo que venhamos a nos tornar é fruto de hoje
o hoje que não te acaricia, não te dá pé na profundidade
Acho que mesmo na tenra idade, somos capazes de prever
que venhamos a ser fruto do mal que tivemos ontem.
Pra mim não importa se o rádio toca, eu não escuto
a televisão ligada só me traz mais medo e pessimismo
Mesmo tentando ser o que gostaria, sou fruto de hoje
um fruto amargo, levemente amadurecido e descorado.
Não tenho explicação para os súbitos lampejos de dor
acho que são reflexos das minhas mentiras honestas
Menti até para mim e achei que fosse sair impune desta
Vendo a intensidade de um filme b me revi na tela.
Que ilusão, somos frutos de ações alheias e próprias
da chuva fina e do sol forte...
Preciso buscar remédio pras minhas inaptidões
que se multiplicam em cada frase de um grande autor.
Pretendo no amanhã não estar lendo algo velho
quero pular a fase da incompreensão
Voltar a ser árvore frutífera de cores vivas
não mais ser fruto caído sem utilidade no chão.


17 de mar de 2009

Amores platônicos


Antes eu tinha uma ideia que amor platônico era aquele não correspondido.
Não, ele só não é sabido pelo amado, é amor idealizado, distante do corpo e não da alma.
Todos os verbos utilizados podem ser descartados, valerão apenas os adjetivos...
Lindo, alvo, indubitavelmente abençoado.
Meus amores que julgo inalcançáveis, são na maioria das vezes imagens de impossível realidade.
A chance de um deles cair de pára-quedas na minha varanda, é de um, mais incontáveis zeros.
Como a possibilidade de atrai-los é infinita dentro da minha mente, infantil.
O dia de amanhã é o futuro próximo do nosso espaço, e nele sim existem infinitas possibilidades.
Não podemos negar, tranquiliza amar o impossível, ele acalma a falta de perspectiva e desperta a ludicidade da vida.
Podemos cultivar nossos amores platônicos, pois são combustíveis para nossas máquinas alternativas, e além disso se existe algo há mais que zero, existe chance!

16 de mar de 2009

Por que tão cedo?


Jovens estão indo embora antes da hora
Quem sabe a hora certa? Acho, não é agora
Ontem senti meu coração apertado
não sabia o porquê, mas algo incomodava
Bem agora fico sabendo, eu a conheço!
Uma jovem foi embora, com tanta revolta
O destino dela foi mudado por um cara errado
Levou sua inocência em troca de um cigarro
Essa onda do mal foi virando tempestade
nem mesmo uma filha lhe trouxe liberdade
Prendeu-se num mundo carrancudo
cheio de vagabundos, que trocam o céu pelo chão
Não! Não consigo entender...
Ver as pessoas que eu cresci observando
indo embora tão cedo.
Por mãos cruéis, pesadas e sujas, levaram-na
Mas antes disso a droga já tinha lhe condenado.
Fica uma súplica pros céus:
_Segure os jovens aqui por favor!
Não os deixem levados pela dor, não mais
Talvez ela tenha tentado, o mundo não deixou
Independente dos motivos, não tem como aceitar
Degradado corpo, se foi antes, alma.
Que sua cria seja envolta numa luz e não sinta tanto
Pois nós que vamos ficando, choramos e lamentamos
Mais uma jovem vida perdida, um corpo largado
Vá em paz, seja pra onde quer vá... Resta saudades.


14 de mar de 2009

Soneto sem açúcar

Quem me dera vir à boca apimentada
Palavra doce substituindo velha fala
Consertar erro brusco, letra que resvala
Magou-me não saber versar cobla rimada

Os velhos talvez fizeram poesia cantada
Que de consoante e dor puderam fitá-la
Atravessaram anos e trevas sem mudá-la
Ainda não contemplo em mim tal retomada

Os sonhos fazem buscar ritmo na calçada
Fiz música falando deles chamada cilada
Era música sem efeito, por mim cantarolada

Versos são pra mim hoje, estima derrubada
Por ondas modernas inevitáveis, jogada
À razão, não atribuo donos, fico controlada

13 de mar de 2009

Quando nos tornamos poetas?


Desde o nascimento quando ao invés de choro nossas mães ouviram...
Música?
Quando ao pensar em algo que nos fez sofrer, escrevemos molhando o papel...
Lágrimas?
Flutuando entre o surreal e as imagens concretas que fazem de passarinhos...
Sonetos?
Tentendo retratar o impossível, aquilo que só em nós faz sentido, tácitas...
Palavras?
Mas onde mora a linha tênue que define o estado ou qualidade poeta...
Sonhos?
Quando não sabemos distinguir tristeza de alegria e nos declaramos capazes...
Em versos!


E mais um ano se passou


Quando amigos "lúdicos" revestidos de amor chegam
Parece que o desejo é não acreditar que sejamos verdadeiros
Muitos erros resbalam na ansiedade de acertar e quando vê...
Acerta-se em cheio!
Eles iluminam suas apagadas segundas-feiras e terças.
Contribuem significantemente com o que se constrói em si mesmo
Beneficiam suas inabaláveis estruturas e costuram rasgos antigos
Dam a impressão que outro mundo ainda existirá
Mais um ano pra você irmã. Irmã que achava não mais encontrar
E se num dia desses nos perdermos, numa tarde de setembro,
Sei que achemos jeito de nos encontrar
Pois em nós não existem defeitos, que não sejam os mesmos
Que não sejam relevantes e que não sejam passageiros
Pretensões não nos faltam, crianças também nos rodeiam
Nomes até são os mesmos, criaram-se até laços parentescos.
Parabéns por mais um ano, esse o meu primeiro.

11 de mar de 2009

Xerostomia


Vou tentar mascarar minhas metáforas em tons pastel

Pra evidenciar que minhas dores físicas é que me levam

Minha cabeça quase explode e minha boca vira areia

Culpa dos remédios ou minha culpa por procurá-los

Quando acontece isso, frequentemente álias, neblina.

Transformo os pensamentos mais comuns em viagens

Como hoje, onde vendo uma construção senti algo inexplicável

Sensação de que algo grandioso ainda me espera, alguém.

Uma música martelando na cabeça... Are we human?or...

Por Deus! Que confusão, só quando ela vai partindo me deixa tonta

Um medo surpreende meu dia, pânico de perder qualquer coisa viva

Viro um resto imprestável que quer escuridão, perde tempo

Xerostomia maldita!

Acho até que gosto dela, pois me remete à certeza que a dor virou farelo.

Mas ainda busco no fundo da mente, uma forma de dizer:

Tem algo grandioso pra acontecer, mas o quê?

Apasiguador símbolo, que vem numa cartela com quatro.

10 de mar de 2009

Ensino passo a passo


Desafio
Desastres aparentes
Inconsequentes jovens vítimas
Tropeços pela história, descaso.

Carpetes
Tapetes vermelhos
Por onde passam nobres
Pobres, padecem ignóbeis, répteis...

Sociedade
Pouca força
Limites transponíveis, deles
Incompreensão, sujeira para nós.

Futuro
Construção vagarosa
Com poucos lutadores dispostos
Ao menos descomplacentes com derrotas.

8 de mar de 2009

Um dia perfeito com as crianças


Não fala nada porque acelera, espera
Mesmo querendo dar boa notícia, espera
O sol está forte e um sono ainda rodeia
Mas escute a voz da experiência e cadeira!

O vento que sopra é quente, algo saciará
A fome que espreita, o gole que ela enganará.
Tenho tempo agora e espero o dia enfim.
Amo tanto que dói nele, também eu sei em mim.

A água traz a paz, não sempre ali, ansiedade
Lavradas as obrigações, diversão sim enfim
Amo tanto que faz feliz, feliz eu e eles assim
Come, corre, nada, ciclo acompanhado

Amigos grandes, meninos pequenos
Sorrisos pedintes, tão convincentes
Tão perfeito é o momento, que só agradeço
Meus filhos virão depois do meu primeiro

O inesquecível acaba rápido e docemente frio
Indo embora sem tormentos, planejo perspicaz.
O cansaço traz tranquilidade e desejos
Em casa aproveito o meu momento, beijo!


5 de mar de 2009

Poesias instantâneas II


Muitas vezes tentamos entender o incompreensível
O porquê da vida, do mundo do voo rasante dos pássaros
Tentamos entender como alguém nos ignora
Choramos as lágrimas da ausência de motivos.
Parece melhor sofrer pelo não do que remoer sem ele...


4 de mar de 2009

Mais 24 horas (Escrito por minha grande amiga Cristiane Maria)

Deixa partir Ou pedir pra ficar
Sem explicar as razões para as minhas alucinações
Ou cobrar, apertar, adulterar , talvez...
Mas por que não acalmar, acalentar em meus braços ?
Tranquilizar e continuar...pois o dia já vai acabar...
E amanhã teremos mais 24 horas, tudo vai continuar.

Poesias instantâneas


A poesia se dá no resgate das emoções naufragadas
Num náufrago causado pelos medos e paixões
Corta a mente como flecha, só se refaz em ilusões
Tonteia e clama por fuga, escapa com digitadas...

2 de mar de 2009

A dor alheia


De imaginar uma palavra que descreva, peno.
Pois simples e idêntico é o meu amor
Irmandade nova que amedronta por ferver
Se dói em mim dói em você...

Por que o que é doce derrete mais rápido?
Por que não, ao invés do silêncio a boa palavra
Estar no seu verso aliterando, tornando pacto.
Saberia dar o tiro certo mas sei, machuca.

Por serem minhas as mesmas dúvidas num certo tempo
Talvez em outras folhas já escrevera meus tormentos
Mas hoje quem sofre não sou eu, não pelas mesmas razões
Quem dera todos enxergassem o brilho desse olhar
Impossível não amar, então como entender o desprezar?

Hoje é só mais um dia, águas passadas
Coincidentemente temos mais 24 horas.
Talvez isso ou nada.

1 de mar de 2009

Um apagão acolhedor


No céu uma lua pela metade, com brilho ingênuo
Na terra uma multidão com energia, sons atipícos.
Vida com alegria, sensãções passageiras
Deixo um dejavour complementar meu domingo.

Uma multidão cantando ao som de velhas canções
Sorrisos soltos e solitários em meio a escuridão
Só mais um comprimido pra levar a dor

Portas lotadas, água escura e sem reflexos
Um amor ao lado, um amigo perto
Um dia com sol e chuva, calor e vento leve
Idéias vagueiam livremente sem caneta e papel

Um livro que ainda será escrito, parte de uma utopia
Conquistas ainda ásperas que andam um passo adiante
Mais uma luz se acendeu pra iluminar o coral
Vibrantes notas que enfeitaram o dia do meu quintal.

27 de fev de 2009

Só mais 24 horas


Tenho que transformar em poesia o que na mente já é prosa
Sorrindo e refletindo pensamos num tema, mas surgiu um dilema:
Escrever sobre as mulheres ou sobre o defeito delas?
Ah! É tudo muito hilário.

Agora corre solta a palavra, penso que por culpa do gozo da vida.
Semântica e semiótica, buscando atribuir significados aos símbolos.
Tudo é história, até mesmo a nossa busca por traduzi-las
Muita criatividade e pouco desempenho, irônia...

Seriam necessárias apenas 24 horas para uma mulher mudar sua vida
Seriam necessárias várias vidas para satisfazer uma mulher
São detalhes recortados, irritações temporárias e amores ígneos.
Muitas observações e desejos, mas valiosas confissões

Uma conversa animada, uma idéia e uma amiga
São apenas três ítens, mas que poderão atrapalhar a sua vida
Homens, cuidado! São apenas 24 horas.

13 de fev de 2009

Vários casos de uma vida... " we need hope"


De uma fonte, de outro planeta, uma reencarnação de alguém que não chegou a entrar aqui...
Ele veio e por quê? Para missão de todos nós? Se foi com dor e muita tristeza que ela se foi, foi a mesma doença que bateu à porta novamente, em seu filho que agora é dela, ela quem amo tanto e que tanto já sofreu carregando incalculáveis perdas!
Por que com ela? Um irmão amado se foi pro fundo da água, sua mãe agonizou mendigando um pouco de ar, ar respirado por tantos desmerecedores.
Mais tarde, pouco mais tarde, o peito dela já era do chão, já era da terra, seu ventre já utilizado anos antes foi casa apenas de um irmão pra mim.
Quanta dor em dois anos, quanto grito sôfrego e lágrimas recolhidas, internalizadas e transaformadas em doença, pulmões retribuindo a agressão da vida.
Alguns anos passados, pai esquecido, ele* tinha casa nova, minha casa, nosso amor e um destino.
Destino esse, que levou seus passos largos, abruptamente sugou sua virilidade pueril, o tirou de sobre a bicicleta nova, levou um pouco do brilho de seu olhar mas ainda restam frestas.
Só agora temos consciência de quão hereditário é este sofrimento.
Minha bela mãe ainda se segura, nas beiradas, no pequeno homem e grande amor que veio a nascer tão logo pra nos fazer feliz, uma criança tão tardiamente vinda que ilumina!
Bem, ela mantém a força para que ele não esmoreça e seu sorriso bobo ainda nos enebrie de esperança, massageie nosso agora e apague de vez esse medo de um destino de pulmões e víceras expostas.



* Apenas para quem sabe do meu momento, isso é só um desabafo, nada de fatos pra serem impressos, e sim esquecidos.

12 de fev de 2009

Apenas uma cobla


Farei apenas uma cobra, não me cobre rima alguma
Não sei redondilhas ainda ei de entender
Farei esquecer o que aprendi ontem, sem enjabements...
Poesia com palavra não me rima, sou exatamente crua.


Paradoxos!

10 de fev de 2009

O homem que sabia voar


Desde pequeno, no limiar de seus 7 anos já pedia para sua mãe:

_ Quero estar no alto com os pássaros, viajar lá em cima...

Sem dar muita atenção a mãe dizia:

_ Estude então, quem sabe você não se torna um piloto de avião!

Não, não era isso que o menino queria. Ele sonhava com asas, mas só queria planar pelo céu, sua intenção era essa.

Lá pelos seus 20 anos de idade ele já sabia voar, aprendera em um dia, que não existem regras específicas bastava se soltar.

Aprendeu que como o super-homem ele poderia voar.

Colocava o capacete e a joalheira, e saia de sua árvore com destino à pista.

Todos o achavam louco, sempre com um paraquedas nas costas, pois era prevenido, sabia que era possível um dia acabar seu combústivel.

Sua viagem era incompreensível para um humano sem sensibilidade.

O homem sabia que poderia cair mas mesmo assim jamais deixou de sonhar.

Pelo símbolo máximo da liberdade, era por isso que ele lutava.


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Bem, simbolismos à parte, o foco não é o vôo e sim quem "voa", pois ele consegue o desprendimento de tudo o que é supostamente previsível e lógico. O personagem contraria as leis da física, ele é pura "ficção metafórica"... Então, obrigada mais uma vez se você chegou até aqui.


Poeminha


Que hora confortável...
Faltou-me apenas um cigarro.
Na correria que se expande ao meu redor
não sinto pressa alguma, estou estável.

Poesia pede beleza invejável, admirável,
mas meu momento é rotineiro
Sou caneta, papel, sombra e pouca cor
Respiro lentamente, penso no improvável

Branco e preto, não preciso muito mais
Só o que me cerca de preocupável
é que o ar esteja respirável, meus amores vivos
meu corpo leve e meus olhos fechados.