14 de dez de 2009

Não me mato mais - Parte III


Capítulo III

Uma forte dor de cabeça, um velhinho sentado a sua frente, uma arma na sua mão. Onde estaria?
_ Olá! Chegou cedo meu amigo.
Meio tonto, sem entender o porquê daquele cenário verde musgo, uma sensação gelada lhe penetrava pelos poros, por um instante pensou que estava num pesadelo, até estava...
_ Desculpe-me, mas quem é o senhor?
_ Eu? Embora em nenhum momento da sua vida tenha me invocado sinceramente, meu interesse por você aumentou muito depois que você comprou esta arma com aquele drogadinho amigo seu.
_ Amigo? Eufemismo grandioso para quem só me dava um alívio semanal.
_ Onde estou?
Levantando lentamente, percebeu que aquele lugar não tinha teto, não tinha céu, não tinha chão. Um vazio verde, uma cadeira de madeira e um velhinho.
_ Você morreu meu filho.
_ Eu consegui então? Você é o quê, Deus?
_ Inteligente menino, isso mesmo, sou o todo poderoso, inigualável, super, super, Deus.
_ Mas que engraçado, achei que os suicidas não se encontrariam com o criador.
O ar sarcástico, conservado pela vida o acompanhava também através da morte, e logo com quem...
_ Você me lembra muito o René, um ar de “eu to sabendo”, “só acredito vendo”, “penso logo existo”... Mas ele, ele acreditava em mim, e você?
_ Eu só posso estar sonhando mesmo. Só me faltava essa, Deus e eu tendo uma discussão quase filosófica.
O silêncio reinou por uma eternidade, não existe fração temporal conhecida para descrever o quanto.
Quando a razão começava a voltar, a conversa partiu do mesmo ponto, como se não houvesse acontecido tal interrupção.
_ Filosofia meu filho? Estamos falando de pensamento, de questionamento, isso tudo é vida, e você abdicou da sua, sem filosofia nenhuma até onde eu sei.
_ Você não sabe tudo?
_ Sei, mas às vezes me finjo de desentendido, principalmente quando não quero ouvir alguns pedidinhos. Existem chorões demais, você até não chorou muito, mas interrompeu uns planinhos que eu tinha traçado pra você.
_ Planinhos? Acorda-me logo, me manda pro inferno, sei lá, mas ta foda esse papo.
_ Então, você vai chorar quando eu mostrar o que você perdeu.
_ Eu? Perdi o quê? Não acontecia nada na minha vida, algumas tragadinhas, uns goles, uma ou outra mulher...
Enquanto João negava para si que Deus estava ali, um sono doce lhe acometeu, caiu sem sentir sobre plumas, seus olhos se fecharam pesadamente.

4 comentários:

  1. alma de poeta..

    me dá

    paz

    FELIZ NATAL..

    um abraço fraterno..

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  2. Cristiane,
    Não obstante a minha implicância com o uso comercial do "espírito natalino", não tenho como escapar da influência que a data exerce sobre o meu emocional que ainda teima em crer que a humanidade não é caso perdido e que podemos construir um mundo mais justo, sem violências e sem preconceitos. Em suma: sou um ingênuo assumido.
    Sendo assim, é inevitável que venha para deixar os meus votos sinceros de que você tenha um feliz natal e que o ano novo não seja apenas uma nova página no calendário, mais um marco de mudança que inaugure uma nova era de paz e felicidades para todos e que possamos realizar todos os nossos melhores sonhos e projetos.
    Felicidades.
    Beijos

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  3. oi Cristiane

    vim desejar-lhe um feliz ano novo
    tudo de bom seja feliz obrigado pelo seu carinho

    suas palavras sao minha alegria

    beijos ........

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