23 de jul de 2009

O lado certo das coisas

Deixei os sapatos do lado de fora
A tentativa era não trazer o sol
Tento esconder-me da luz feliz
Minha segurança é não ter fé
Todas a imaturidade se mostra
Nas defensivas falas de ser assim
Não boa, não má, não normal...
Querendo manter um foco, indo
Sem direção certa, infinito mudo.
Não existem explicações reais
Pra todas as questões mais cruciais
Deixo o lado mais pessimista nu
Frases incompletas revelam-me
Insegurança companheira, fútil
A falta da palavra ideal, reticências.
Deixo meu lado bom junto lá fora
Trago as pessoas arrastadas comigo
Não tendo resolução imediata, sigo
Mantendo aqui dentro e comigo
Um futuro romantizado, às vezes
Buscando cor, puxando pro cinza.

17 de jul de 2009

Tudo adiado

Adiei minha mudança de atitude, minhas faxinas conceituais.
Preferi continuar uma cabeça dura, não vou mudar!
Tudo que tenho hoje são pensamentos que me aliviam,
Tudo que tenho hoje são sonhos secretos, absurdos.
Quero esperar o próximo inverno pra ver o que dá
mas é claro não posso contar que chegarei até lá
Preciso sim da mudança, mas hoje sinceramente não será
Esqueci até de tentar poetizar essas frases esdrúxulas
Mas indubitavelmente vou ter que adiar !

7 de jul de 2009

De repente


Não sei se quente ou frio, apenas não morno
O peso no corpo, no passar fugaz dos anos
Meu fogo, o cheiro e o esforço, penso planos
Quietos todos os remorsos, as dores contorno

Mesmo que lentamente, mudanças no forno
As maçãs apodrecem na geladeira, enganos
A fome de acelerar a própria reforma, sonhos
Sem rima certa nem hora marcada, retorno.

Fica mais um soneto inacabado e sem adorno
Mesmo que num filme mudo eu fale, é jogo,
Para entender não, somente contar e pronto.