15 de jul de 2018

All my caves

Seguindo a semântica do meu lar das palavras... agora.
O que eu sinto agora?
Deste dia que começou mais cedo do que tem sido há dias, tinha tanta esperança. De reviver o trivial da vida, de ter a casa cheirando a comida que nos reporia a energia. Já não era mais uma dor, ali somente uma alegoria.
Limpei a casa, com os mesmos líquidos que limpavam o ar, o gato e os cachorros, ali a observar minha falsa alegria.
Tinha sol, não deixei minha pele se queimar dele, de novo.
E de novo o tempo passando rápido, a entorpecer a mente velhas ironias, o tempo da minha existência me deu o quê? Se não sei eliminar as mesmas marcas que há tanto venho carregando.
A tarde e o fim da tarde chegaram muito estranhos, com letras de músicas que abriram buracos sob meus pés. Compartilho palavras e sentimentos que não são recebidos, que não são reconhecidos, claro... são tão meus!
Daí o giz que escreveu nas paredes várias histórias, clama por mais poemas desconexos, clama e eu clamo, não sou poeta, a vida só tem escrito em cima da minha pele toda a sua raiva e seu fluxo que nesse momento é tão cruel.
Idiossincrasias, necessito de reconhecê-las, para que no quadro do futuro que não mais tenho pensado pintar flores e borboletas, alguma chama se acenda e que ao ver seu brilho eu escape dessa caverna.

12 de jun de 2018

North

Restam as palavras, decifráveis e frágeis
Rompeu a madrugada o retrato antigo
Adormeci nas horas que soam fugazes
Caiu a estrutura e o prazer foi abrigo

Disse um dia que mudaria de margens
Culpei as estrelas a quem fiz o pedido
Racionalizei a vida e só vi miragens
A natureza de si, um fluxo do destino

Rosas, mortes, desejos e saudades
Portas, sonhos, suor e vaidade
Salas, línguas, dor e passaporte

Sou o imutável à espera de sorte?
Gravado na pele ficamos fortes?
Quem poderá, um dia, ser o norte?

6 de jun de 2018

Noites de céu vermelho em que o sono não vem
Retratos que espelham mentiras que não convém
Meus medos são poucos e as horas são muitas
Na neblina o niilismo ganha conteúdo e curvas

18 de mai de 2018

Passa, dizem: com o tempo passa...

Imagina só o se o seu dia começar já na metade, com tantas coisas para fazer, mas então você se entrega à ociosidade.
Claro que a cama é mais macia que a vida lá fora, ela faz parte da mentira.
O gato mia o tempo todo, na sala a Sofia. Quantos órfãos de uma específica companhia!
As luzes por todo o lado acesas, para suscitar certa leveza, que talvez o escuro quando observado vem a revelar toda a tristeza.
Um filme na tela partida, falando sobre jovens que juntos descobrem a vida. Assistiríamos com certo receio, várias culpas, mas, no final, total empatia.
Atravesso com a fumaça essa noite de lua nova, nenhuma tarja preta aliviaria... O despertar de mais uma hora soa no meu relógio vindo dos states, na mala, que ele a fazer de certa forma me ajudaria.
São todas horas vazias, todas horas pensadas e esquecidas, horas que não falei o que devia, horas em que agi como não podia. São quantas horas para raiar um novo dia?

15 de mai de 2018

Menos um dia

       Decidi que escreverei mais sobre os meus pensamentos e tentar explicar os sentimentos que me confundem a cada novo dia.
       Hoje, olhei uma foto do Renato e por instantes eu tive a impressão que ele estava para chegar. Imediatamente veio uma onda de dor que dominou até mesmo o ar que eu respirava, ali naquela sala mal iluminada.
     Não consegui acreditar que aquele rosto, cuja textura eu sinto ainda, jamais se unirá ao meu novamente. Não dá para acreditar que há pouco mais de um mês eu ainda podia ouvir sua voz e dizer que o amava, depois de tantas tempestades...
    Não dá! Às vezes penso que posso ter uma vida com vários sucessos, amores, viagens; porém o vazio dele não me permite colocar outras alegrias no lugar. Vou sofrendo sem ninguém poder imaginar o que é estar no meu lugar, nem ao menos eu pudera imaginar como era antes de ter arrancado de mim um pedaço tão significante.
    Ouvi uma música do Pearl Jam - Light years - e a letra me remeteu à Aristóteles: "We were but stones, your light made us stars", suscitando as melodiosas passagens metafisicas que dizem sobre nós, o ser e do que somos feitos. Do que você, meu amor, era feito? Além de tantas histórias e sonhos, lindos olhos azuis e a vontade de viver o mundo!
    Pelo menos se vai mais um dia, menos um dia para existir concomitante às perguntas sem respostas, ao vazio dessa casa, à falta de amor e a uma negra liberdade.

6 de mai de 2018

33

Qual a probabilidade de estar tudo conectado? O que seria o tudo, ele é o oposto do nada?
Bem, já que o nada suscita, e o motivo de eu estar escrevendo aqui neste exato momento, que já não é mais um exato momento, é o fato de que preciso dizer para fora de mim que eu não consigo mais.
O nada para o qual o meu amor voltou, meu amor? Quantas vezes neguei amá-lo, reclamava de detalhes ínfimos e desejava outra sorte, então todas as vezes a conclusão à qual chegava era de que sempre o teria como amor que mais doeria.
Há 33 dias não ouço mais sua respiração, há 33 dias luto para dormir, fujo da sea lembrança para não entrar numa escuridão sem fim, há 33 dias a mais avassaladora solidão tomou conta da minha vida.
Não existe pílula milagrosa que contenha a inquietação da "alma", sem esperanças de encontrar com seus olhos em outra esfera, vida ou nada. São orações curtas, o pensamento se confunde à palavra.
Escrevo aqui, pois sei que o ambiente, mais despretensioso para que eu exponha o mais sincero do que paira aqui, é inóspito, paradoxalmente um esconderijo para minhas mágoas, ninguém (me) lê!
Chego a um ponto importante: existe, enfim, um desejo de autoflagelo ou uma mácula que envolve uma autopiedade?
Evito isso para mim, parecer exigir atenção é vil na minha concepção, mas não seria natural que façamos uso de tal máscara para fugir daquilo que realmente queremos dizer?
A minha dor, a minha dor, a minha dor... Olha! Ela é realmente só minha, nem maior nem menor que de outrem, porém e certamente minha. Que eu viva com ela!
Fortaleza, resiliência, ingratidão, desapego... tudo passa a ser por alguém um atributo meu, já que saber o que se passa na mente de outras pessoas numa situação como a minha é pouco provável, por mais empático que seja o sujeito. Os amigos são amigos quando o querem ser, cada qual com seu momento e suas reflexões e problemas, suas existências e temores.
Fiquei 15 anos da minha vida imaginando que nada poderia me separar do Renato, nem mesmo as traições, as manias, as "faltas de amor"... não cogitava, além de uma sensação nominada, que ele pudesse realmente sair da minha vida tão cedo. Somente ele neste universo sabia me ler e jogar todos os jogos que ele pudesse ganhar, embora tenha perdido alguns, na leitura dele.
Desafiei a mim, despedi-me com um sonho na mala, foram quarenta e cinco dias a menos ao lado da pessoa que mais amei e odiei em toda minha vida. Não sabia que você iria tão rápido, perdão, meu amor! Que cruel eu fui comigo e contigo, meu egoísmo ainda diz que não fiz errado, não fiz para ninguém além de mim, que tenho menos do seu cheiro, menos tempo ouvindo o som da sua voz, bebendo menos da sua respiração. Que abismo se abre sob meus pé quando sei que nos despedimos há 33 dias, não sei se ali meu amor estava, apenas segurei aquela mão que por tanto tempo aqueceu meu corpo e meu espírito, senti o pulso viver pela última vez para aquela tão alegre e esperançosa vida que se ia sem maiores explicações.
Consigo vê-lo sentado, de longe, onisciente, eu consigo ler seus pensamentos para o futuro. A calça frouxa, olhos azuis brilhantes, a camisa de banda... um coturno arrebentado. Sua magreza e sua energia eram da mesma proporção, seus sonhos o consumiam, as ideia afloravam e todos o sentiam vibrar. Em sua mente, nenhum medo de perder a juventude, via-se velho a cuidar de uma horta.
Não realizei seus sonhos, não pude deixá-lo viver mais. Daquele menino só resta a efemeridade do espectro de sua vitalidade.
O que eu quero dizer não há quem possa entender. Uma luta em mim: entre o querer continuar e saber que nada mais resta para que eu faça aqui.



16 de fev de 2017

Mortes

Você morou em mim, esperança.
Por um tempo fugaz, na segurança
Disse a ti que seria sua fortaleza
Embora toda a vida, hoje tristeza

Alimentei os sonhos em sua face
Nomes de anjos, santos, mártires
Bebi incerteza sem usar disfarce
Matei meus pecados dos alarmes

Viveu em mim ou na lembrança
Enriqueceu minh'alma de pobrezas
Saiu de meus sonhos uma criança
Dissipou o destino amada riqueza