26 de fev de 2010

Ninguém sabe verdadeiramente

O descaso é uma dor e uma frieira, sempre latentes
Incomoda e dói devagar nas veias e na pele da gente
Os planos ficam sozinhos e fracos, vão caindo sempre
Nenhuma alma boa diz: Que beleza, que identidade!
A solidão do talento super estimado, rói solenemente
Um engano levado a sério foi lavrado, inocentemente
As pétalas sobraram no chão e foram varridas, sente?
Talvez você não sinta, mais um que não vê realmente.

17 de fev de 2010

A hora de parar?



Vejo pela clareza não tão limpa que preciso ir
O mundo para mim tornou-se de apenas 500m
Uma ida e uma vinda, uma vez ao dia e basta
Meus sorrisos parcos, soam ferozes e indignos
Minha ignominiosa crença é como o adjetivo
Aqueles que me amam já não me suportam
Palavras débeis saem de meus lábios frios
Queiram entender minha dor, ou não por fim.
Não crer na fé não é abdicar Deus na essência
Temo ter que trancar mais portas, mais umas
Receio não saber mais os verbos, estagnar
Não faço poesia há tempos, será que posso voltar?

13 de fev de 2010

Enquanto o sonho não vem


A chuva caindo no chão faz um delicioso barulho, e meu corpo jogado naquele colchão, buscando sono só pensava em como descrever aquele momento.
O colchão não estava no quarto, estava num cômodo que não tem nenhuma classificação, apenas se faz agradável pela pouca luminosidade talvez. A chuva lá fora continuava e tornava o momento da passagem do mundo real pro imaginário um pouco mais suave. Alias aquela casa não tem cômodos comuns, estende-se num corredor, com duas partes já inclassificáveis, um quarto grande, uma cozinha maior ainda, uma suposta sala (cuja porta não abre), um banheiro amarelado e uma área externa impermeável e fedida. O piso é em sua maior parte vermelho, descascando em três falsos cômodos, a cozinha e o resto de uma área que ainda não mencionei tinham o piso marrom claro, feio, mas que com uma boa lavada se tornava convidativo, sempre gostei de deitar no chão, alguns dizem que absorve as energias negativas. Anexos à cozinha, estão partes que indubitavelmente não faziam sentido, uma lavanderia que era separada por uma paredinha e um quarto pra bagunça, quente com as primeiras camadas de Dante.
A extensão dessa casa levava meus pensamentos enquanto ali naquele cômodo de paredes ocupadas por uma decoração caseira ornava com teias de aranha persistentes e minha alma.
Uma vida que passa como filme pela mente, trazendo sorrisos e lágrimas, o tempo naquele colchão desfazia minha fachada impertérrita, ao lado de mim um corpo barulhento dormia tão profundamente incapaz de ouvir minhas lamentações impertinentes.
Sou eu assim agora e ontem, confusa, antes do sono e sem saber o momento exato que ele chega somos todos nós impolutos, e que caia a água lá fora, fazendo piscina no quintal imundo.

8 de fev de 2010

Diariamente uma despedida


Revelo-me instantaneamente em poucas linhas, versos curtos, rápidos. Não tente me ter desvendada em descrições minuciosas em detalhamento de sentimentos ou coisa assim, estou sempre em despedida. Se quiseres muito de mim terá apenas duas coisas: palavras e tédio.

4 de fev de 2010

Um sem fim assim




Assumiremos nossa derrota, desde que a dualidade permita


Os frios e os calores que conseguem mais do que sensações


Fios de medo que atravessam todas as ruas consternando


Uma nação se reflete num só rosto, quando queimado, só.


Minhas letras não servem de melodia para os dramas aqui


Os sonhos que ficam nas calçadas, molham e secam sem fim


Andaremos na busca de assumir verdades, jamais as teremos.