13 de fev de 2010

Enquanto o sonho não vem


A chuva caindo no chão faz um delicioso barulho, e meu corpo jogado naquele colchão, buscando sono só pensava em como descrever aquele momento.
O colchão não estava no quarto, estava num cômodo que não tem nenhuma classificação, apenas se faz agradável pela pouca luminosidade talvez. A chuva lá fora continuava e tornava o momento da passagem do mundo real pro imaginário um pouco mais suave. Alias aquela casa não tem cômodos comuns, estende-se num corredor, com duas partes já inclassificáveis, um quarto grande, uma cozinha maior ainda, uma suposta sala (cuja porta não abre), um banheiro amarelado e uma área externa impermeável e fedida. O piso é em sua maior parte vermelho, descascando em três falsos cômodos, a cozinha e o resto de uma área que ainda não mencionei tinham o piso marrom claro, feio, mas que com uma boa lavada se tornava convidativo, sempre gostei de deitar no chão, alguns dizem que absorve as energias negativas. Anexos à cozinha, estão partes que indubitavelmente não faziam sentido, uma lavanderia que era separada por uma paredinha e um quarto pra bagunça, quente com as primeiras camadas de Dante.
A extensão dessa casa levava meus pensamentos enquanto ali naquele cômodo de paredes ocupadas por uma decoração caseira ornava com teias de aranha persistentes e minha alma.
Uma vida que passa como filme pela mente, trazendo sorrisos e lágrimas, o tempo naquele colchão desfazia minha fachada impertérrita, ao lado de mim um corpo barulhento dormia tão profundamente incapaz de ouvir minhas lamentações impertinentes.
Sou eu assim agora e ontem, confusa, antes do sono e sem saber o momento exato que ele chega somos todos nós impolutos, e que caia a água lá fora, fazendo piscina no quintal imundo.

2 comentários:

  1. olá Cristiane

    amei suas palavras.

    felizes dias animo.

    beijos!!!

    ResponderExcluir
  2. obrigado pela tua visita e lindo
    comentario de observadora e poeta..

    feliz dia do Amor e da amizade

    beijos!!!

    ResponderExcluir