12 de jun de 2009

Um pensamento vazio


Virar a página do desejo, ser contestação
Soprar a chama dos apegos, só água fria,
Com um copo de líquido negro, paciência
Esperando as horas calmas com degustação.

Se o medo virou companhia no coração
Esqueço de desligar a luz, casa sombria
Os venenos estão erguidos, certa calmaria
Permaneço no rebuscado verso solidão.

São tetos de teias de aranha, pó no chão
Tudo que olho contrasta com esse dia
Escondo então de mim tudo que é vão.

Essa sucessão de imagens são consolação
Pois numa noite de pesadelos dor eu via
Talvez não a minha, mas fiz comparação.





5 comentários:

  1. "Se o medo virou companhia no coração"...
    Lindo, Cris!
    Me encontro, e me perco nos seus versos!

    Beijos de luz!

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  2. Belo soneto.
    Ótimo fim de semana.
    Beijos

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  3. Não preciso saber o destino do poema
    todo destino tambem pode ser um livro
    fechado, paciência, humano, até pode errar
    aberto, que não se repita nem fique em branco

    Não há fim em si, nem recomeço de coisa morna
    não se arrisca, não sossega, queima sem queimadura
    gozo com o êxtase de revistas, fetíches e adeus
    só mesmo o gêlo, pode incendiar quem só se ama

    Fazer do impossível uma possibilidade, droga leve
    um café sem cigarros, aguardar o tempo morrer
    refazer-se depois, seja breve, seja longo, diferente
    feita semente, feita verdade, real, tudo ou nada

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  4. Bonito, Cristiane, um quase medo, uma quase dor...um soneto belo. Beijo.

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