14 de mar de 2009

Soneto sem açúcar

Quem me dera vir à boca apimentada
Palavra doce substituindo velha fala
Consertar erro brusco, letra que resvala
Magou-me não saber versar cobla rimada

Os velhos talvez fizeram poesia cantada
Que de consoante e dor puderam fitá-la
Atravessaram anos e trevas sem mudá-la
Ainda não contemplo em mim tal retomada

Os sonhos fazem buscar ritmo na calçada
Fiz música falando deles chamada cilada
Era música sem efeito, por mim cantarolada

Versos são pra mim hoje, estima derrubada
Por ondas modernas inevitáveis, jogada
À razão, não atribuo donos, fico controlada

5 comentários:

  1. belo poema
    estavas muito inspirada

    sao momentos sei...

    abraços bom fim de semana


    braulio...

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  2. ei, a concorrência está aumentando...

    gostei, cristiane.

    sem açúcar? mas cheguei a sentir o docinho...

    hoje é dia nacional da poesia - 14 de março.

    homenagearam a florbela espanca em http://mariaclara-simplesmentepoesia.blogspot.com/

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  3. você utilizou a rebeldia das palavras mas não descartou a forma do lirismo romântico :uma contradição de si mesma.
    ótima jogada! gostei muito.
    saludos pra ti.
    Anita.

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  4. Um soneto que expressa a inquietação sobre a criação poética. Muito bom.O Bardo que se cuide.

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  5. Obrigada pelos comentários...
    Senti-me lisongeada.

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