28 de jan de 2009

A Idéia ( Augusto dos Anjos)

A idéia
De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!

Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica ...

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica

2 comentários:

  1. Não sei se entendi bem, mas o poeta queis dizer que as ideias se desenvolvem naturalmente e perfeitas, mas a língua atrapalha o seu voo em liberdade.
    É que, quando falamos, uma palavra puxa junto um pensamento, e aí a ideia original compete com as outras que vêm em seguida, e assim é deformada...
    Augusto dos Anjos sempre foi difícil pra mim.

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  2. A idéia foi o maior bem que o Senhor nos outorgou: parte do nada, aciona nossos neurônios que desencadeiam reações orgânicas que sensibilizam nosso corpo e nossos sentimentos. Conduz toda a nossa vida, para o bem, ou para o mal; para os grandes ou para os pequenos feitos. Nos dois quartetos do belo soneto o Poeta descreve, de forma brilhante, sucinta e objetiva, como somente ele sabia fazê-lo, a trajetória da ídéia. Nos dois tercetos, no meu entendimento, ele a constringe, segundo seus sentimentos: a sua timidez, a sua frustração, a sua hipocondria, que bem o caracterizam, mantendo a sua dignidade e sua grandiosidade!

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