11 de nov de 2008

Soneto de Camões

Passo por meus trabalhos tão isento
De sentimento, grande nem pequeno,
Que, só pela vontade com que peno,
Me fica Amor devendo mais tormento.

Mas vai-me Amor matando tanto a tento,
Temparando a triaga co veneno,
Que do penar a ordem desordeno,
Porque não mo consente o sofrimento.

Porém, se esta fineza o Amor sente,
E pagar-me meu mal com mal pretende,
Torna-me com prazer como ao sol neve.

Mas se me vê cos males tão contente,
Faz-se avaro da pena, porque entende
Que, quanto mais me paga, mais me deve

2 comentários:

  1. Que, quanto mais me paga, mais me deve.

    odeio quando isso 'está acontecendo comigo'.

    ;)

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  2. texto carregado de emoções e
    na forma seguindo o texto de Camões.
    Dentro do contexto e é muito bom!
    Abraços

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